Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 03/08/2020

A construção sociocultural da infância na Idade Média,até meados do século XV,foi responsável pela ausência de separação entre adultos e adolescentes,os quais eram submetidos às mesmas condições.Hodiernamente,apesar dos estudos acerca das diferenças psicológicas e fisiológicas,observadas nas diversas etapas do desenvolvimento humano,vê-se a persistência da gravidez precoce. Nesse viés,a problemática está associada à falta de educação sexual nas escolas e à carência do diálogo no ambiente intrafamiliar,as quais são responsáveis pelo agravamento da questão.Assim,tornam-se fulcrais ações governamentais para a redução da gravidez precoce no Brasil.

Entender o tema é não desconsiderar o ECA(Estatuto da Criança e do Adolescente),criado ao final do século XX,segundo o qual é dever do poder público e da sociedade a preservação da juventude.Não obstante,a juventude brasileira encontra-se ameaçada pela gravidez precoce.Nesse sentido,dentre os fatores relacionados ao problema,destaca-se a ausência da educação sexual nas instituições de ensino.Tal questão está associada à opinião desfavorável ao ensino da sexualidade de considerável parcela da população,a qual defende a possibilidade de corrompimento da infância.Soma-se a isso a carência do diálogo no ambiente familiar a respeito do sexo,haja vista o tratamento cultural do assunto como um tabu no Brasil.Concomitantemente,de acordo com dados da Sinasc(Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos),16% dos nascimentos em 2016 foram de filhos de mães entre 15 e 19 anos.

Outrossim,as consequências advindas da gravidez na adolescência são preocupantes.Por essa ótica,a gestação nessa faixa etária é considerada de risco,tendo em vista que na maioria dos casos o pré-natal é iniciado tardiamente.À vista disso,a identificação de doenças,tanto na mãe quanto no feto,muitas das quais são solucionáveis com o diagnóstico precoce,é comprometida.Além disso,a fuga da escola e a exclusão social,comumente observadas nesse contexto,são responsáveis pelo início de um ciclo vicioso em que a jovem engravida outras sucessivas vezes.Tal fator acarreta o agravamento de questões sociais pré-existentes,como o aumento do número de crianças em situação de abandono e da violência.A partir de tal constatação,ganha relevância o conceito de Habitus,do filósofo francês Pierre Bourdieu,segundo o qual a repetição de determinados costumes tende a perpetuá-los nas gerações.

Diante desse cenário,medidas são necessárias a fim de atenuar o problema.Para tanto,o Ministério da Educação deve desenvolver projetos,como palestras e mostras culturais,os quais trabalhem assuntos relacionados à sexualidade,por meio da integração entre familiares e alunos.Tal proposta tem como finalidade a mudança de pensamento acerca da educação sexual.Ademais,o Ministério da Saúde deve criar propagandas,a partir do foco na importância do diálogo familiar,com o objetivo de quebrar o tabu relacionado ao sexo. Com tais ações, será possivel frear o Habitus, de Bourdieu.