Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 01/08/2020

O filme Juno, produzido no ano de 2005, trouxe para a sociedade, por meio da cinedramaturgia, os desafios e a dinâmica de vivência das meninas que se descobrem grávidas ainda na adolescência. Assim, a falta de estrutura financeira e psicológica, além da carência de debates acerca do assunto, são fatores relacionados e que fazem da gravidez na adolescência um problema social e de saúde pública, de acordo com o Ministério da Saúde.

Em primeiro lugar, entender o meio socioeconômico no qual estão inseridas a maioria das adolescentes grávidas, é fundamental para estabelecer as necessidades da discussão. Com isso, é muito comum as meninas precisarem abdicar dos estudos e até mesmo do final da própria infância para assumirem responsabilidades de mães. Além disso, a estrutura financeira está diretamente ligada aos índices de gestação precoce. Prova disso, é o dado fornecido pelo Médico Dráuzio Varela, em sua página virtual, de que meninas em vulnerabilidade social apresentam cinco vezes mais chances de engravidarem no período de 15 a 19 anos, quando comparadas às pacientes na mesma faixa etária, porém com renda mais elevada.

Por outro lado, a gravidez na adolescência transcende o fator socioeconômico, pois embora em menor número, as meninas que aparentemente apresentam renda familiar satisfatória, também vivenciam os desafios de uma gestação precoce. Assim, como fator causal disso, tem-se principalmente a falta de debates e esclarecimentos acerca de saúde e educação sexual. Contudo, é difícil a inserção dessas temáticas no debate público, pois a estrutura patriarcal brasileira que traz como herança história a visão angelical e perfeita da figura feminina, sempre culpabiliza a mulher e distorce o real objetivo da informação ao achar que educar e falar sobre saúde sexual é o mesmo que incentivar a fazer sexo. Dessa forma, tem-se ainda em meio ao século XXI cerca de 29% da população discordante quanto ao debate do tema nas instituições escolares, de acordo com o Datafolha.

Diante do exposto, as ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência devem, envolver, sobretudo, o Ministério da Educação com o auxílio dos meios de comunicação. Assim, publicidades televisivas sobre os mitos e verdades da educação sexual é uma via de conscientização da população mais conservadora. Além disso, no âmbito escolar, pode-se inserir na grade curricular, disciplinas de educação em saúde, utilizando a pauta de gravidez na adolescência como tema relevante. Pode-se ainda, fazer palestras escolares com a participação dos pais sobre o que será abordado na disciplina, e nesse momento, contar com outros profissionais a exemplo de psicólogos. Com essas medidas, portanto, espera-se  uma sociedade com reflexos positivos da políticas públicas.