Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 04/08/2020

Na série televisiva da Netflix, “Sex Education”, em um de seus episódios é retratada uma cena de aborto, em um hospital especializado, devido uma gravidez indesejada. No Brasil, abortos só são permitidos em certos casos, mesmo havendo uma alta taxa de fecundidade em adolescentes. Essa problemática afeta diretamente a vida dessas jovens, principalmente as de baixa renda, e é causada não somente pela escassez de educação sexual por parte da família e escola, como também pela falta de informação sobre os métodos contraceptivos.

É relevante abordar, primeiramente, que, a negligência familiar e escolar provoca um aumento no número desses casos de gravidez. Entre os fatores que mais influenciam está o “tabu” em torno do sexo é a falta de diálogo, o que ocasiona uma desinformação e consequente não preparo de indivíduos que iniciarão sua vida sexual desprotegidos. Prova disso são os dados da Associação Médica Brasileira, mostrando que anualmente, cerca de 18% dos brasileiros nascidos são filhos de mães adolescentes, correspondendo a cerca de 400 mil casos por ano. Ademais, esses casos são mais frequentes em jovens de baixa renda e com menos escolaridade, segundo dados do IBGE.

Concomitante a isso, a ausência de informações à métodos contraceptivos, bem como a maneira sobre como usá-los corretamente também contribuem para esse cenário. Esse problema não só provoca uma gravidez indesejável como há riscos de contágio por Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), sem contar uma possível rejeição por parte dos pais, que, são indispensáveis no apoio para sobrevivência da mãe e do bebê.

Diante do exposto, urge então, medidas que revertam a atual situação brasileira, visando a diminuição no número de casos. O Ministério da Educação detém papel fundamental em promover palestras e aulas sobre educação sexual aos alunos, com especialistas no assunto, além de promover uma reunião mensal com os pais ou responsáveis, encorajando-os a se abrirem ao diálogo com os filhos, quebrando essa censura sobre assuntos como sexo e proteção, já que a familía é o alicerce do desenvolvimento social do indivíduo. Deve haver também a criação e divulgação nos meios tecnológicos, pela Mídia, de propagandas com a função de informar sobre os métodos contraceptivos existentes, alertando do risco de não utilizá-los. Dessa forma, haverão menos casos de gravidez indesejada no Brasil, como a retratada no seriado.