Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 07/08/2020

O filme Juno, produzido no ano de 2005, mostra à sociedade os desafios encontrados diante de uma gravidez na adolescência. Nesse contexto, o ambiente familiar, sobretudo as recém gestantes, precisam lidar, muitas vezes, com obstáculos econômicos da falta de estrutura, além do preconceito social, bem como, aspectos psicológicos da futura mãe acerca dessa nova realidade. Assim, é de fundamental importância as ações governamentais para o enfrentamento da gestação precoce como um problema de ordem socioeducacional.

Em primeiro lugar, entender o ambiente familiar como forte modulador social na vida de um indivíduo é primordial. Nesse aspecto, o conceito iluminista de que o homem é, muitas vezes, influenciado pelo meio em que vive, aplica-se em muitas realidades à medida que, os cenários mais carentes quanto à aspectos socioeconômicos de acesso, sobretudo, à educação são os mais passíveis para o surgimento de gestações precoces não planejadas. Prova disso, é o dado trazido pelo médico Dráuzio Varella em seu programa - O sistema, de que meninas em situações de vulnerabilidade social apresentam cinco vezes mais chances de encararem uma gravidez precoce quando comparadas àquelas cujas famílias são privilegiadas do ponto de vista financeiro.

Além disso, o preconceito social e consequentemente a saúde mental dessa mais nova grávida é preocupante. Isso porque, a gravidez demanda responsabilidades as quais, meninas em fase de adolescência não estão prontas para atenderem. Dessa forma, muitas vezes, essas mães precisam se absterem de atividades essenciais para a inserção na vida adulta, a exemplo do ambiente escolar. Como dados confirmadores, tem-se  a estimativa da fundação Abrinq, de que cerca de 30% das meninas que se tornaram mães ainda adolescentes, não concluíram o ensino fundamental.

A gravidez na adolescência deve, portanto, ser  abordada como quesito educacional e de proporção social. Nessa perspectiva, é necessário a ação conjunta de setores como o Ministério da Educação e as mídias sociais. Na questão educacional, deve-se incentivar o retorno às atividades escolares dessas meninas por meio da disponibilização de creches para seus filhos bebês, bem como a inserção de profissionais psicopedagogos no ambiente de estudo para lidar com os gestantes de pouca idade e trabalhar a prevenção de uma gravidez precoce com o intuito de reduzir às taxas. As mídias, em consonância, podem atuar na disseminação de informação quanto às formas de prevenção sexual por meio de propagandas e debates públicos online. Somente assim, terá-se uma sociedade atuante e compromissada quanto ao enfrentamento da gravidez precoce.