Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 23/08/2020
Engajamento popular. Essa é a melhor ação a ser desenvolvida por todos os cidadãos, a fim de conter os crescentes casos de gravidez na adolescência. Entretanto, tal prática não tem atingido seus objetivos devido à alienação de uma parcela da população e à falibilidade estatal. Destarte, é irrefutável que ocorra uma alteração do comportamento letárgico vigente no corpo coletivo e uma remodelação dos projetos midiáticos e governamentais, com o intuito de desconstruir esse contexto áspero.
Nessa perspectiva, entende-se que a problemática da gravidez na adolescência é uma consequência direta da alienação social de boa parte dos cidadãos. De acordo com a teoria da “Indústria Cultural”, alvitrada pelos filósofos Adorno e Horkheimer, a mídia - por meio do empobrecimento dos conteúdos - nulifica a criticidade dos indivíduos, tornando-os inaptos a enfrentar óbices sociais. Sob esse viés, percebe-se que uma parcela dos sujeitos, alienada pela futilidade midiática, comporta-se apática diante da crescente sexualização dos jovens. Tal comportamento resulta no crescimento exponencial dos casos de gravidez em meio ao público infanto-juvenil que, em sua maioria, desconhece os perigos de uma gestação precoce, tais como as inúmeras dificuldades durante o parto. Desse modo, verifica-se a urgência de ações afirmativas para mitigar esse contexto caótico.
Outrossim, constata-se que, a princípio, a Carta Magna assegura a todos os indivíduos multíplices direitos sociais e fundamentais. Não obstante, na prática, ao analisar a questão da gravidez na juventude, percebe-se a concretização do conceito de “Cidadania de papel”, proposto pelo jornalista Gilberto Dimenstein. Tal ótica deduz que, embora o Brasil apresente leis alicerçadas, elas se limitam ao plano teórico - como a garantia da saúde para crianças e adolescentes. Para fins de ratificação, citam-se as possíveis sequelas advindas de uma gestação prematura, sejam elas físicas ou psicológicas, resultantes da imaturidade corporal e emocional dos jovens em geral. Em síntese, o Poder Público, por assistir inerte ao agravamento da problemática, contribui para a perpetuação desse contexto caótico.
Urgem, portanto, ações sinérgicas entre os atores sociais, com o intuito de atenuar os casos de gravidez na adolescência. Para tanto, a mídia - principal canal de comunicação hodierno - deve desenvolver campanhas que, por meio de amplas divulgações, instruam a população acerca dos perigos de uma gestação na juventude, a fim de que a postura apática supracitada seja superada. Ademais, compete ao Governo implementar, por intermédio de massivos investimentos, palestras escolares ministradas por especialistas, que abordem a importância do uso de métodos contraceptivos, com o escopo de minimizar a problemática. Por fim, tais ações sociais serão o início de uma era na qual a sociedade, dotada de engajamento popular e apoio governamental, possa progredir.