Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 25/08/2020

O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne à falta de ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência, percebe-se a configuração de um quadro entrópico, em virtude do caos presente na questão. Dessa forma, em razão da falta de debate e de uma lacuna educacional, emerge uma situação complexa, que precisa ser revertida.

Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente no problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco bebês que nascem, no Brasil, tem a mãe com idade entre 15 e 19 anos, números preocupantes. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a gravidez na adolescência, o que dificulta o alcance de ações governamentais que buscam mitigar essa mazela social.

Além disso, outra causa para a configuração do problema é uma base educacional lacunar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à gravidez na adolescência, nota-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter e de prevenir o problema, visto que, segundo o Ministério da Saúde, a gravidez precoce diminui conforme a escolaridade das jovens aumenta. Logo, ações governamentais para a redução desse panorama devem ser planejadas levando em conta tal fato.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debate sobre a questão no ambiente escolar, por meio de eventos que contem com a presença de professores, sexólogos e médicos. Tais eventos devem ser realizados no período extraclasse, sendo abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a seriedade de uma gravidez precoce na vida das adolescentes e das familiares que as cercam e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, com o caos entrópico contido na questão diminuindo, poderá se consolidar um Brasil melhor.