Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 27/08/2020

No Brasil, as ações que o governo tem tomado para a redução da gravidez na adolescência apresentam resultados positivos, visto que, entre 2000 e 2018, o número de bebês de mães adolescentes, entre os 15 a 19 anos, caiu em 40%. No entanto, a queda entre mães ainda mais jovens é de apenas 27%. Logo, é de extrema importância que essas políticas públicas continuem ativas, porém, é preciso que ocorra uma abordagem com o âmbito social, e não apenas científico.

Primordialmente, é conhecimento de todos, inclusive dos adolescentes, que o Sistema Único de Saúde oferece gratuitamente métodos contraceptivos dos mais diversos tipos, como os de barreira, os hormonais e os de longa duração, em hospitais e nas Unidades Básicas de Saúde. Entretanto, as consequências sociais da gravidez precoce, que geram a necessidade de prevenção, não são muito discutidas publicamente, o que provoca a falta de uso dessas medidas anticoncepcionais. É necessário que se fale sobre essas consequências, visto que elas intensificam outros problemas, como a falta de escolaridade, que perpetua a pobreza. Segundo o ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, o abandono da escola aumenta a mortalidade infantil, gera pobreza, o que forma um ciclo vicioso que precisa ser abordado, de alguma maneira.

Ademais, é imprescindível que a origem das relações que ocasionam nas gravidezes precoces seja observada e debatida, pois, se elas forem evitadas as concepções na adolescência também serão. Essas relações podem ser causadas por vários motivos, como relacionamentos abusivos, famílias ausentes, pressão dos colegas, violência doméstica, entre outros exemplos. Quanto mais cedo esses problemas forem identificados e resolvidos, menores são as chances de que gestações indesejadas ocorram, de forma que proteja não somente à estrutura física das adolescentes, mas também ao seu psicológico. Além disso, é necessário sempre lembrar as meninas de que elas podem e devem dizer não se alguém tentar ter uma relação que elas não desejam, e que, caso o indivíduo force-as, elas devem denunciar.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos abordar os aspectos sociais da gravidez na adolescência, por meio de políticas públicas que promovam diálogos com as jovens de todas as regiões do país, essencialmente nas mais carentes, em palestras com sociólogos e psicólogos. Isso alertaria as meninas quanto as consequências sociais de gestações indesejadas e facilitaria a descoberta da origem das relações que levam a essa situação, o que promoveria a prevenção e a intervenção, quando ela se fizer necessária.