Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 27/08/2020
Enraizado em uma cultura nitidamente patriarcal, sexo ainda é um assunto considerado tabu pela maioria das famílias brasileiras. Sobre essa perspectiva, a desinformação a respeito desse tema, principalmente, em áreas rurais e periféricas, ocasiona o aumento cada vez maior de mães precoces. Nesse sentido, é necessário dialogar sobre essa temática, as formas de prevenção e as consequências de uma gravidez na adolescência.
A desinformação e a falta de orientação sexual na família e na escola trazem sérios problemas e riscos aos adolescentes, que além da gravidez não planejada, causa outras consequências como a evasão escolar, rejeição familiar, a não realização do pré-natal, o aborto em condições inseguras, o aborto espontâneo, o nascimento prematuro, e em alguns casos até a morte da genitora. Diante disso, consoante o sociólogo Émile Durkheim, o ser é aquilo que a sociedade faz dele, portanto, tratar a sexualidade com censura terá como consequência jovens vulneráveis no que diz respeito à gravidez precoce e suas implicações.
Nesse mesmo sentido, decorrente da falta de estrutura psicológica familiar, cabe a escola e governo abordar o assunto em campanhas mídias sociais para informar os adolescentes e seus pais, as consequências da gravidez na adolescência, uma vez que a gestação precipitada além de causar fragilidade emocional, social e econômica a todos os envolvidos, pode e deve ser considerada uma questão de saúde publica, uma vez que por causa do corpo da futura mãe ainda estar em processo de formação, ocorre, em muitos casos, abortos ou morte da genitora. Segundo a coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde da Mulher, Criança e Adolescente, Vanessa Vieira, a gravidez na adolescência é um problema de saúde pública. “Os riscos à saúde da mãe e bebê são muitos, como prematuridade, anemia, aborto espontâneo, eclâmpsia, depressão pós-parto, entre outros”.
Diante do exarado, dos riscos eminentes da gravidez na adolescência, e em decorrência da falta de orientação sexual na família, imprescindível ensinar sobre educação sexual desde o ensino fundamental. E nesse sentido cabe ao governo junto com o Ministério da Saúde e da Educação, implantar ações educacionais, realizando projetos e programas incentivadores e parcerias intersetoriais com o desenvolvimento de ações educativas com foco na saúde sexual e reprodutiva, facilitando o acesso de adolescentes às unidades de saúde e através de palestras, depoimentos e publicidades constantes sobre a gravidez na adolescência, estimular a conscientização dos jovens em prol da prevenção.