Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 12/09/2020

No documentário “Meninas: gravidez na adolescência”, da diretora Sandra Werneck, são retratadas as histórias de quatro meninas menores de idade que ficam grávidas. Nesse viés, o curta mostra as causas, consequências e até mesmo os sentimentos das jovens diante de um evento totalmente inesperado em suas vidas. De maneira análoga ao documentário, é possível visualizar diversos casos de gestação precoce na sociedade hodierna, em decorrência de dois fatores: uma formação histórica religiosa que trata o sexo como tabu, que por consequência, influencia na ocorrência de casos de gestação na juventude.

Mormente, é de extrema e fundamental importância entender o passado para possibilitar uma ampla compreensão do presente cenário hodierno. Ora, nesse sentido, majoritariamente a população do Brasil tem em sua cultura elementos da tradição católica, tendo como exemplo a sexualidade - principalmente das mulheres - como uma temática que deve manter-se reservada. Analogamente, na obra “Totem e tabu”, do psicanalista Sigmund Freud, o autor analisa os “totens”, que são ideias sagradas e respeitadas que cercam e diminuem as liberdades individuais e coletivas de uma sociedade. Com isso, nota-se que a desinformação sobre sexo colabora diretamente para o acontecimento de gravidezes precoces, pois sem informação as adolescentes não tem ciência dos métodos contraceptivos e acabam por não usufruir deles, tendo relações sem preservativos e engravidam.

Consequentemente, o índice de jovens gestantes na adolescência vem crescendo exponencialmente no Brasil. Sob esse prisma, segundo o Ministério da Saúde, no ano de 2017, 574.000 crianças nasceram de mães que tem a idade entre 10 e 19 anos. Seguindo a mesma linha de raciocínio, de acordo com estudo divulgado pela Associação Médica Brasileira (AMB), anualmente cerca de 20% dos brasileiros que nascem são filhos de mães adolescentes. Logo, diante dos escabrosos dados supracitados, transparece a exorbitante gravidade do entrave e revela que atitudes são necessárias para sanar ele, caso contrário tornar-se-a perpétuo.

Portanto, ações governamentais são fundamentais para reduzir os casos de meninas grávidas na adolescência. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Cidadania faça, por meio de patrocínio estatal, palestras sobre sexualidade e principalmente gravidez precoce nas escolas, com profissionais da saúde ensinando educação sexual e alertando sobre os riscos da gravidez na adolescência, dessa forma, com informação sobre o tema os adolescentes iram se prevenir mais e melhor. Somente assim, o quadro atual será resolvido, evitando que as cenas retratadas em “Meninas” continuem acontecendo.