Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 13/09/2020

O filme “Juno"retrata a história de uma jovem, grávida de seu amigo aos 16 anos, que enfrenta a exclusão social, a insegurança e falta de informação a respeito da gestação. Fora da ficção, esse cenário e recorrente na vida de muitas adolescentes brasileiras, de acordo com o IBGE, de cada cinco bebês que nascem um tem a mãe  entre 15 e 19 anos. Dessa forma, é nítido que a gravidez precoce é um problema social no país causado tanto pela permanência do tabu do sexo na cultura , quanto pelo déficit na estrutura educacional, o que reforça o ciclo da pobreza .

Em primeiro lugar, é possível observar que o tabu do sexo é o principal fator que impede uma eficaz educação sexual aos jovens e adolescentes. Com isso, este legado da sociedade patriarcal tem perpetuado a idéia de que instruir sobre o sexo é o mesmo que incentivar a prática, dado que não coloca em evidência que esta é a melhor forma de previnir contra a gravidez. Conforme uma pesquisa do jornal Carta Capital, 88% das meninas só passam a se preocupar com a possibilidade de uma gestação após o inicio da vida sexual, o que poderia ser diferente caso houvesse diálogo sobre o assunto com as instituições e com os pais.

Em segundo lugar, o precário sistema público educacional, constituído por: professores mau remunerados e desistimulados, alunos desinteressados, falta de laboratórios e bibliotecas, incentiva a evasão escolar e consequentemente aumenta a possibildade de uma ocorrer gravidez precoce. Isso se ratifica com o dado do jornal Folha de são Paulo, no qual diz o número de adolescente grávidas é 80% maior em famílias de baixa renda e de menor escolaridade , o que faz com que a continuidade desse evento mantenha o ciclo de pobreza no país, haja vista que sem a devida capacitação as jovens mães não terão acesso a empregos valorizados. Em decorrência disso, encaixam-se no determinismo social, onde o indivíduo é designado pelo meio em que está inserido.

Enfim, com o fito de mitigar este problema alarmante no país, cabe à Receita Federal disponibilizar parte do impostos arrecadados ao Governo Federal, no qual 50% da verba sejam investidas em psicólogos e agentes de saúde nas escolas públicas, para realizarem palestrar, em todos os semestres, com o intuito de orientar pais e alunos a como abordarem a sexualidade segura e quebrar esse tabu que impossibilita a fluência de informações. Já a outra metade da verba deve ser destinada para melhorar a infraestrutura das escolas ,com a construção de laboratórios e bibliotecas , para criar a curiosidade e expectativa nos adolescentes de aprender e ter propósito de crescimento intelectual, o que poderá reduzir a evasão escolar. Dessa forma, certamente a realidade da vida da personagem Juno deixará de imperar na juventude brasileira.