Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 14/09/2020

O relatório “Situação da população mundial”, realizado pelo Fundo de Populações das Nações Unidas, mostra que o Brasil se situa entre os países com queda acentuada nas taxas de natalidade, ficando com média 1,7, abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,2. Apesar disso, é possível afirmar que a taxa de gravidez na adolescência no país ainda é muito alta, o que é um problema, pois além de riscos clínicos para a mãe e o bebê, uma criança vinda precocemente tende a aumentar o abandono escolar e a perpetuar a pobreza.

Em primeiro lugar, é válido destacar que apesar de o percentual de mães de até 19 anos ter caído, no Brasil, na última década, esse número continua alto. Quanto a isso, é sabido que, por medo ou vergonha, muitas adolescentes demoram a falar sobre a gravidez com os responsáveis, atrasando o início dos procedimentos do Pré-Natal. Dessa conduta derivam perigos como o aumento do parto prematuro, a anemia gestacional, o baixo peso do feto e até mesmo o possível óbito materno e do bebê.

Entretanto, não são apenas físicos os possíveis problemas decorrentes de uma gravidez precoce. Isso porque a grande maioria dessas gestações não são planejadas, e um evento como esse transforma toda a vida da pessoa. Assim, um estudo da Fundação Abrinq, 30% das mães com até 19 anos de idade não concluíram nem mesmo o ensino fundamental. O mesmo relatório aponta a gravidez precoce como principal causa do abandono escolar. De acordo com esses dados, é possível supor, também, que essas jovens terão dificuldades de acessarem a bons postos no mercado de trabalho. Ainda de acordo com isso, o UNFPA também mostra que a incidência de gravidez entre jovens é maior em populações menos favorecidas economicamente, havendo, então, um importante elemento para a perpetuação da pobreza.

Assim, é possível concluir que a gravidez na adolescência é um problema social e que, portanto, é necessário ampliar as medidas governamentais. Um exemplo de como isso poderia ser feito é o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde e também com o Ministério da Cidadania, tornar política pública de nível federal a presença de profissionais da saúde e da assistência social nas escolas públicas, em todos os níveis de escolaridade. Essas equipes, compostas por enfermeiros, psicólogos e agentes sociais, além de promoverem debates, oficinais e conscientizarem sobre questões como métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis e afins, também acolheria adolescentes em situações de fragilidade social, dando o suporte necessário. Essa medida possibilitaria evitar que o problema ocorresse, mas também acolher e orientar quando acontecesse.