Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 14/09/2020

Em uma família, a notícia da chegada de uma criança normalmente é motivo de alegria e comemorações. Todavia, no Brasil de tantas incertezas, crise econômica e desemprego em alta, cada vez menos casais têm motivos para comemorar uma gravidez. A situação torna-se ainda pior quando a gravidez ocorre na adolescência, quando o indivíduo ainda se encontra no início da sua formação social e dificilmente terá estrutura para efetivamente criar alguém, provendo o mínimo necessário. Neste sentido, a gravidez na adolescência é um problema que precisa ser enfrentado por todos os setores da sociedade, exigindo ações governamentais de fato efetivas na prevenção e mitigação desta realidade.

A gravidez precoce é antes de tudo, um problema de saúde pública, uma vez que tanto a mãe quanto o feto estão sujeitos a inúmeros riscos, como má formação, aborto espontâneo, desenvolvimento insatisfatório do bebê, e muito outros. O impacto socioeconômico é igualmente preocupante, pois muitas das grávidas abandonam os estudos e têm dificuldades para conseguir emprego. Segundo dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem cerca de 70 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. Outro dado preocupante é a ausência dos pais, ficando a criação dos filhos na maioria da vezes a cargo da mãe.

É importante destacar que a gravidez na adolescência está associada diretamente com baixa renda, baixa escolaridade e pouca perspectiva de futuro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística refletem este fato, com o Nordeste respondendo por mais de 40% das ocorrências de aborto em mães de 15 a 19 anos. Apesar do acesso a informações na escola, televisão e internet, muitos adolescentes ainda utilizam os métodos contraceptivos de forma errônea, suspendem o uso quando encontram parceiros fixos ou ainda, simplesmente por não acreditar que uma gestação aconteceria com eles.

Decerto, um problema com tantas vertentes precisa que as possíveis soluções sejam buscadas em diversas frentes, exigindo amplas ações governamentais. Para tanto, deve o Ministério da Educação intensificar as campanhas nas escolas, além de promover palestras e eventos com profissionais habilitados. As Redes Sociais têm se mostrado responsáveis por boa parte do fluxo de informações na sociedade. Certamente seriam aliadas poderosas na divulgação de campanhas e ações do Ministério da Saúde, como divulgação de pontos de entrega de métodos contraceptivos. Parcerias com a iniciativa privada poderiam ser buscadas, por exemplo, desenvolvendo aplicativos para mapear pontos de entrega. Seguramente, um investimento muito mais rentável em ganhos sociais, do que os atuais gastos com abortos clandestinos e intervenções evitáveis nas Unidades de Saúde.