Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 15/09/2020

Gravidez na adolescência é um problema que esta presente na realidade da sociedade brasileira desde sua origem. Um caso que recentemente foi muito discutido na mídia foi o de uma criança de 10 anos que engravidou de um tio que a abusava sexualmente desde os 6 anos de idade. É inegável que essa condição de normalização de jovens sendo mães é uma questão incorporada nas raízes do país, uma vez que suas origens datam da presença do cristianismo na colonização do Brasil, criando todo um tabu em cima da virgindade e sexualidade feminina, não popularizando a educação sexual destas.

De acordo com dados fornecidos pelo IBGE, 1 a cada 5 crianças nascidas vivas no Brasil são filhas de meninas entre 15 e 19 anos de idade. Esse número está em queda, apesar de ainda se ter um longo caminho para seguir. Atualmente o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente 9 métodos contraceptivos, mas de que adianta se os projetos que visam a educação sexual nas escolas tem um alcance tão pequeno, de apenas 1,5 milhões de estudantes em um país com cerca de 53 milhões de alunos? Muitos não chegam a saber da disponibilidade de contraceptivos ou de como usá-los.

Muitos jovens não podem contar com o apoio da família para ter esse tipo de conversa devido a vergonha ou pela educação dos responsáveis, que cresceram com a ideia de que não se discute sexualidade com crianças, por ser um grande tabu na sociedade, levando esses adolescentes a se verem na necessidade de buscar informações sozinhos, através da internet ou de colegas, que muitas vezes podem não trazer dados corretos. A falta de conhecimento leva a gravidez, e, de acordo com o IBGE, 68,7% das mães adolescentes não voltam a estudar, o que as coloca em um lugar de dependência total dos familiares ou do parceiro, não apenas dependência da criança que nasceu, como da própria mãe também, abrindo uma brecha para outros problemas, como violência doméstica.

Portanto é inegável que a gravidez na adolescência é um problema muito mais amplo do que parece ser, levando a necessidade de se aumentar o alcance da educação sexual em escolas com o intuito de informar os jovens sobre mitos e verdades a respeito de como se prevenir e respeitar seu próprio corpo, além de também ajudar a detectar abusos sexuais, que são uma das principais causas de gravidez entre menores. Esse acesso a informação deve ser promovido pelo aprimoramento de um projeto já existente, feito pelo Ministério da Saúde em parceria com estados e municípios, o Programa Saúde na Escola, que atualmente chega a 1,5 milhões de estudantes, mas esse número deve aumentar o máximo possível. Adicionalmente, deve ser disponibilizado pelo Ministério da saúde atendimento psicológico para essas jovens mães, que são 4 vezes mais propensas a desenvolver depressão após uma gravidez indesejada, segundo pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA.