Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 17/09/2020

Preconceito. Gestação de risco. Evasão escolar. Diversas são as consequências da gravidez na adolescência. Na contemporaneidade, embora hajam diversos métodos contraceptivos, o índice de gravidez precoce é alto e configura-se um problema social brasileiro. A principal causa dessa problemática é a precária educação sexual ofertada nas escolas, devido ao tabu atribuído à temática. Nesse sentido, urge o engajamento do Estado para a redução da gravidez na adolescência.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a educação sexual é o principal agente de combate à gravidez precoce. O filósofo utilitarista Hans Jonas defende em sua obra a ideia da “Ética da responsabilidade” - o indivíduo deve agir levando em consideração as consequências futuras, não somente as imediatas. Relacionando o pensamento do filósofo à temática da gravidez na adolescência é possível concluir que é necessário unir o conhecimento teórico das aulas - estudo do corpo, reprodução, métodos contraceptivos, prevenção de DSTs - às decisões do indivíduo, de forma que, a partir do aprendizado, possa agir de forma consciente e prevenir consequências negativas futuras. Portanto, fica evidente que negligenciar esse ensino, mantendo a temática como tabu, provocará a perpetuação da problemática, potencializando seus efeitos adversos.

Diante disso, são notórios os entraves provocados pela maternidade na juventude. Primeiramente, diante do tabu enfatizado, o preconceito é o principal desafio das mães, uma vez que o ambiente de convívio, principalmente na escola, torna-se opressor. Em decorrência disso, a evasão escolar é a “solução” encontrada pela gestante, com o intuito de esconder-se dos colegas de escola ou até mesmo ingressar no mercado de trabalho para o sustento próprio e da criança. Somado a isso, a gravidez precoce pode gerar complicações, dentre elas está o aborto espontâneo, o parto prematuro e o desenvolvimento de hipertensão arterial, no geral, decorrentes da falta de maturidade corporal da adolescente.

Deve-se, pois, com o intuito de reduzir o índice de gravidez precoce, adotar medidas. É dever do Ministério da Educação incluir no currículo escolar de educação básica a temática da educação sexual. Por meio das aulas de ciência e biologia, o profissional encarregado de lecionar deve debater de maneira didática e concisa o estudo corporal, a reprodução, os métodos contraceptivos e de prevenção de doenças. Esse incremento no currículo educacional será de grande valia para formação pessoal da geração futura, formando indivíduos mais conscientes e que pratiquem a “Ética da responsabilidade” apresentada por Hans Jonas.