Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 26/10/2020

Na série britânica “sex education”, a protagonista “Maeve”, é surpreendida com uma gravidez indesejada ainda na adolescência e, por não ter condições de manter a gestação, decide interrompê-la. Fora das telas, o número de adolescentes grávidas, no Brasil, ainda é alto, especialmente entre a camada mais pobre da sociedade. Dessa forma, é válido analisar o porquê de uma gravidez precoce ser problemática, bem como o principal fator que impede a situação de ser resolvida, a fim de que sejam fomentadas ações governamentais que reduzam tal índice.

Faz-se necessário pontuar, de início, que a gravidez na adolescência causa evasão escolar e aumento da mortalidade infantil. Isso porque a maioria das jovens, ao engravidarem, precisam sair da escola para conseguir trabalho, já que não possuem renda suficiente. Além disso, essa falta de estruturação e planejamento familiar faz com que muitas gestantes não façam o pré-natal da forma adequada, o que aumenta o número de óbitos prematuros, uma vez que muitas doenças não são diagnosticadas ou prevenidas. Tal realidade é expressa nos dados da Revista brasileira de ginecologia e obstetrícia, a qual afirmou que 25% das gestantes adolescentes não faziam o pré-natal adequado, ocasionando em 20% de óbitos neonatais.

Contudo, a falta de educação sexual escolar e familiar dificulta a resolução do impasse. Isso porque os adolescentes, que praticam relações sexuais cada vez mais cedo, não compreendem a importância do uso de camisinhas e de outros métodos contraceptivos para a prevenção da gravidez precoce e de outras infecções sexualmente transmissíveis. Tal falta de conhecimento é refletida nos dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os quais apontam que, em um intervalo de 10 anos, houve cerca 700.000 gestações precoces no Brasil.

Destarte, para a redução do número de gestações na adolescência, é mister que o Ministério da Educação, aliado ao Estatuto da Criança e do Adolescente, adicione na Lei de Diretrizes e Bases uma disciplina denominada “Educação sexual”, cujas aulas serão ministradas por meio de profissionais da educação com enfoque no público jovem, do Ensino fundamental ao Ensino Médio. Tais aulas ressaltarão as consequências da gravidez precoce, bem como os meios de prevenção. Somente assim, casos como o de Maeve deixarão de ser comuns na sociedade brasileira.