Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 04/01/2021
Segundo dados da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Brasil ostenta a mais alta taxa de grávidas em idade precoce da América Latina. Enquanto a tendência mundial vai no caminho contrário- com mães cada vez mais velhas-, tal fato requer medidas urgentes do governo brasileiro, afinal, a gestação imatura conclui em evasão escolar e perpetua a desigualdade de gênero.
Inicialmente, jovens gestantes abandonam as escolas. Em outras palavras, números divulgados pelo MEC (Ministério da Educação) apontam que 18% das adolescentes têm na gestação o principal motivo à evasão escolar. Tendo em vista os impactos da Revolução Digital no mundo do trabalho, a destaque da imposição por maior qualificação, somados ao contexto brasileiro de treze milhões de desempregados, para o IBGE (Instituto Brasileiro Geografia e Estatística), a educação mostra-se como ferramenta fundamental à garantia de renda e sustento. Certamente, o fato de pesquisas sociológicas e psicológicas afirmarem que filhos de mães do tipo costumam sofrer com o mesmo destino, aumenta, em um ciclo vicioso, a urgência de medidas pelo governo que retardem o problema, como o uso de preservativos, a fim de garantir às adolescentes a cidadania da educação, do emprego e da dignidade.
Posto isso, a gestação precoce reforça as desigualdades entre meninos e meninas. Em paralelo ao parágrafo anterior, o fato da problemática, praticamente, de acordo com o IBGE, não afetar jovens pais evidencia tais discrepâncias. Nesse sentido, a combinação entre Biologia e Sociologia priva o pai dos mesmos empecilhos da mãe, na medida em que somente a ela são impostos a falta de mobilidade, a desregulação hormonal, sintomas como o enjoo, além de doenças inerentes a uma adolescente que, concomitantemente ao próprio desenvolvimento tem de nutrir um feto, a exemplo da anemia- tudo em meio ao marcante machismo da sociedade. Analogamente, a novela “Malhação- Viva a Diversidade”, programa que, inserido no contexto juvenil, busca retratar os dilemas do segmento, mostra uma jovem gestante, Keyla, que, abandonada pelo pai da criança, tem de recorrer, só, à ajuda de amigas. Logo, a desídia estatal de baixo auxílio a tal situação impõe a meninas imaturas, enquanto adolescentes, e privadas de renda preconceitos próprios da histórica disparidade entre homens e mulheres.
Em suma, a gravidez precoce requer ações estatais ao alijar meninas do estudo e da igualdade em relação aos namorados. Urgentemente, governadores devem, por meio de campanhas midiáticas, refrear a gravidez pelo uso de preservativos. Assim, propagandas televisivas podem retratar jovens como a Keyla e seu namorado que afirmem, explicitamente, que usam camisinha com o fito de garantir emprego, para que o Brasil cresça em cidadania. Só assim, mães mais velhas serão a tônica.