Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 08/10/2020
Em “Meninas” - documentário de 2006 - é retratada a vida de quatro jovens, com idades entre 13 e 15 anos, que engravidam precocemente e, como consequência, precisam adiar seus projetos em razão da responsabilidade maternal, além de mostrar as dificuldades dessa gravidez. Embora lamentável, tal cenário faz-se presente na sociedade, haja vista as ineficientes ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência. Assim, torna-se necessário discorrer acerca da ausente educação sexual e da evasão escolar como resultado da gravidez precoce para desconstruir essa realidade tupiniquim.
Em primeiro análise, é imperativo salientar a não existente educação sexual como causa para a perpetuação do considerável número de adolescentes grávidas, uma vez que a sexualidade ainda é considerada um “tabu” na sociedade atual. Comprovadamente, segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP), a desinformação sobre sexualidade é o principal motivo para a gestação na adolescência, pois pode proporcionar uma série de riscos e complicações para os adolescentes, para os recém-nascidos e para a sociedade em geral. Dessa forma, é notório a importância do investimento em educação sexual para que os jovens sexualmente ativos tenham acesso à informações e formas de prevenção, tanto para evitar a gravidez, quanto para evitar infecções sexualmente transmissíveis.
Outrossim, evidencia-se o abandono escolar como consequência da gravidez na adolescência, o que contribui para a perpetuação do ciclo da pobreza. Isso é afirmado pois, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) apontam que 75% das jovens que engravidam não estudam, nem trabalham. Nesse sentido, é possível afirmar que a gravidez precoce tende a gerar a evasão escolar, principalmente em jovens de baixa renda, visto que existe a dificuldade em harmonizar o desempenho escolar e o encargo parental, uma vez que o último torna-se, geralmente, mais urgente. Como resultado, a gravidez nessa etapa da vida reforça o círculo vicioso de pobreza, já que a não conclusão dos estudos resulta em menor qualificação profissional e dificulta a inserção no mercado de trabalho.
Depreende-se, portanto, que ações de enfrentamento para a atenuação do número de adolescentes grávidas devem ser legitimadas. Logo, cabe ao Estado, atrelado ao Ministérios da Educação, promover a educação sexual nas escolas, em especial durante o ensino médio, por meio de aulas e palestras com profissionais qualificados, que visem abordar as consequências do não uso de métodos preventivos, a fim de mitigar a desinformação entre os jovens. Ademais, compete ao Ministério da Saúde, juntamente com as mídias comunicativas, garantir o esclarecimento social acerca das mazelas oriundas da gravidez na adolescência, por meio de novelas como “Malhação” e propagandas públicas, com o intuito de reduzir o número de adolescentes grávidas e escapar do apresentado em “Meninas”.