Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 05/10/2020
Na série televisiva “Elite”, Marina é uma adolescente que acaba se envolvendo com Nano, do qual descobre estar grávida. No decorrer da trama, mostra-se as dificuldades e a pressão sofridas pela personagem em decorrência de sua condição. Fora da ficção, é fato que apesar da série se passar na Espanha, existem semelhanças com a realidade brasileira. Nesse contexto, faz-se necessário analisar dois entraves acerca da problemática: a falta de educação sexual nas escolas e a associação da virgindade com a sacralização imposta no período colonial do país.
Primeiramente, convém ressaltar que a questão educacional atenua tal problema. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, a educação sexual contribuiria com a difusão de informações para as crianças e adolescentes. Entretanto, as escolas brasileiras tratam as questões do sexo e da sexualidade por uma perspectiva conteudista e totalmente afastada do cotidiano do jovem, desconsiderando as questões sociais, econômicas e até mesmo políticas que giram em torno desses temas. Por conseguinte, há um aumento da frequência de casos de gravidez indesejada.
Além disso, destaca-se a falta de diálogo acerca do sexo e da sexualidade. Isso ocorre, sobretudo, devido ao tabu existente em torno desses assuntos, reflexo da influência do cristianismo na colonização, que faz com que a família não instrua os jovens a respeito de métodos contraceptivos e meios de proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. Essa situação é abordada no documentário Gravidez na Adolescência, produzido pela Cineluz, em que é mostrado que, geralmente, a adolescente e seu parceiro mantêm relações sexuais sem proteção por não possuírem conhecimento sobre os prejuízos que estão sujeitos a sofrer.
Fica evidente, portanto, a necessidade de atuação estatal a fim de minimizar os índices de casos de gravidez na adolescência. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, implementar aulas e palestras sobre educação sexual nas escolas que contem com a participação das famílias, com o intuito de promover a conscientização sobre os riscos em torno da gravidez precoce e também sobre métodos contraceptivos. Somente dessa maneira, o Brasil poderá combater e, principalmente, evitar que casos como o de Marina em “Elite” continuem sendo frequentes.