Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 08/10/2020

Na obra cinematográfica Preciosa, a personagem principal, Claireece Jones, uma jovem de dezesseis anos, sofre abusos do próprio pai e está grávida pela segunda vez. Embora esta seja uma realidade ficcional, a gravidez na adolescência não é incomum no Brasil nos dias de hoje, seja ocasionada pela violência e a vulnerabilidade social ou, mesmo, pela ausência de educação sexual e o tabu sobre sexo e sexualidade. Dessa forma, ações governamentais são necessárias para a redução da gravidez na adolescência.

Em primeira análise, cabe destacar a atmosfera, de violência e crimes, majoritária em comunidades carentes, o que motiva a problemática. Segundo a escola naturalista, e a teoria do determinismo, o meio influencia diretamente o indivíduo, consequentemente, uma pessoa exposta à violência estaria compelido a reproduzi-la, ativando, dessa maneira, seus instintos animais mais primitivos. Isso explicaria, de maneira análoga, a violência cíclica que ocorre àqueles em maior vulnerabilidade social, como crianças que possuem pais abusivos, do modo que ocorre no filme antes citado. Logo, muitos jovens e adolescentes são afetados pela insegurança, tanto nas ruas, quanto dentro de casa.

Em segunda instância, a influência histórica que a Igreja Católica tem sobre a sociedade, inclusive no modo como é visto o tema sexo, faz com que o assunto seja pouco debatido na esfera social — principalmente entre o grupo feminino, que mais sofre com esse tabu. Devido a isso, informações que deveriam ser compartilhadas com os adolescentes, que têm iniciado sua vida sexual cada vez mais cedo, são retidas e esses indivíduos são colocados em perigo em razão da ignorância. E, sendo o homem fruto da educação, como afirma o princípio Kantiano, o não investimento em educação sexual só pode resultar no constante aumento do número de adolescentes grávidas.

Depreende-se, portanto, que a gravidez precoce é um impasse que precisa ser sanado. Assim, cabe ao MEC a promoção de palestras com especialistas em sexualidade juvenil e debates que instruem sobre a importância da responsabilidade sexual, para que assim os jovens tenham as informações necessárias para o início seguro da vida sexual e o tabu referente à sexualidade possa ser quebrado. Logo, também é importante que o Ministério da Saúde ofereça serviços amigáveis e humanizados em unidades de saúde, como atendimento pré-natal e apoio psicológico, para que casos como o de Claireece sejam punidos e evitados futuramente, assim como para coibir outros males que podem colocar em risco a vida do recém nascido e da mãe.