Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 08/10/2020
O psicanalista Freud, em sua obra ‘‘Totem e Tabu’’, afirma que temas sobre os quais a nação tem dificuldade de discutir tornam-se preconceitos. Nesse sentido, pode-se pensar na gravidez precoce, visto que as jovens mães sofrem com dilemas éticos e econômicos impostos pela sociedade moderna que, infelizmente, ainda reproduz o ensino jesuíta do século XVI, que condenava a educação sexual. Por isso, urgem medidas governamentais para mitigar essa situação.
Em primeira análise, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Desse modo, torna-se evidente que a educação além de promover uma melhora no caráter, auxilia também em questões como o planejamento familiar, ou seja, fornecer educação sexual nas escolas pode ser apontada como um fator determinante em relação ao combate à gravidez na adolescência. Logo, uma jovem que recebeu esse tipo de ensino terá informação a respeito do uso de métodos contraceptivos e até mesmo sobre seu próprio corpo, evitando uma gravidez precoce oriunda da desinformação.
Paralelo a isso, 574 mil partos de crianças vivas realizados em 2015, os quais as matrizes possuem entre 10 e 19 anos, de acordo com o Ministério da Saúde. Essa situação se agrava ao considerar que, segundo estudo realizado pela Fundação Abrinq 30% dessas meninas abandonaram a escola, tanto por não conseguirem conciliar maternidade e os estudos quanto pelo bullying, fruto do julgamento de uma população com valores arcaicos. Isso prejudica a formação dessas jovens que, consequentemente, terão dificuldade ao se inserir no mercado de trabalho devido a baixa escolaridade.
Portanto, é essencial a ação do Estado para solucionar essa problemática. Para tanto, o ideal seria que o Ministério da Saúde crie grupos operativos nos municípios, com foco nas escolas, para instruir os jovens à respeito da educação sexual, além de distribuir preservativos de forma gratuita e permanente. Ademais, também deve ser fornecido assistência às mães, por meio de grupos de apoio, distribuição de bolsas acadêmicas, pelo ministério da educação, como incentivo para que estas retornem à escola e palestras com o intuito de conscientizar a população sobre o tabu imposto sobre essa situação, para que, assim, essas mulheres tenham seus direitos garantidos.