Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 24/10/2020

O filme americano “Juno” aborda a história de uma jovem, que com apenas 16 anos passa por dificuldades sociais, físicas e psicológicas em decorrência de uma gravidez precoce indesejada. Não distante da ficção, essa é uma realidade enfrentada por muitos adolescentes e jovens no Brasil. Nesse sentido, convém analisar, como a negligência familiar bem como a insuficiência de uma educação sexual nas escolas colaboram para tal problemática.

Em primeira análise, é importante destacar o tabu acerca do sexo perpetuado no ambiente familiar. Conforme a teoria do “Habitus” do sociólogo Pierre Borideu, a sociedade incorpora e reproduz as estruturas sociais de sua época para gerações futuras. Tendo em vista esses aspectos, a família negligencia a educação sexual dos filhos por possuir uma estrutura ultrapassada, pois, na Idade Média, o sexo e consequentemente a gravidez antes do casamento era considerado pecado, e com isso, o diálogo sobre sexo na adolescência torna-se um receio, logo, os pais não se sentem responsáveis para educar no âmbito sexual. Dessa forma, é inegável com ambiente familiar deve ser repensado e reestruturado para combater os casos de gravidez indesejada na adolescência.

Além disso, cabe pontuar que a escola também representa um papel crucial no ensinamento e formação cidadã, como afirma o filósofo pedagogo brasileiro Paulo Freire, somente a educação pode mudar a sociedade. Nesse contexto, é válido citar a escassez da educação sexual nas escolas como uma das causas do impasse, visto que, no que tange esse assunto, o objetivo dos materiais didáticos e professores, consiste em ensinar apenas as formas de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis, com foco apenas na questão da saúde, o que faz com que a questão sobre a gravidez seja omitida. Sendo assim, denota-se a importância do conhecimento sobre a gestão precoce, para atenuar problemas futuros.

Portanto, para reverter esse quadro, faz-se necessária uma ação imediata por parte da escola e família. Desse modo, a escola em parceria com o Estado, deve promover métodos de aprendizagens para  uma educação sexual mais eficaz, por meio de aulas semanais sobre gravidez precoce com médicos e psicólogos convidados, com aulas temáticas e práticas com visitas aos orfanatos, de modo a proporcionar a reflexão sobre as consequências e riscos de uma gestação indesejada. Com isso, a falta de conhecimento e informação não será mais uma causa do impasse. Ademais, a família, por sua vez, tem um papel essencial de desenvolver uma relação aberta com os filhos e exercer o dever de educar os filhos ao iniciar um diálogo sobre o sexo por meio das redes sociais ou debater sobre o assunto no cotidiano. Espera-se com isso, que a experiência relatada no filme Juno torne-se apenas uma ficção.