Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 13/11/2020

Em um dos episódios da série britânica “Sex Education”, é apresentada a situação de uma adolescente, Maeve, que acaba engravidando, porém sem condições financeiras ou psicológicas para ter um filho em idade escolar. Fora da ficção, hodiernamente, é fato que muitas jovens passam por ocorrências semelhantes à de Maeve, pois a desigualdade social e a falta de educação sexual contribuem para o aumento da gestação na juventude. Por isso, torna-se necessário o debate acerca das ações governamentais para redução da gravidez na adolescência.

Primeiramente, é importante destacar que a segregação socioespacial favorece a formação de mãe juvenis. De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada no ano de 2016, a gravidez na adolescência prevalece em famílias de baixa renda. Nesse sentido, é notável que a escassez de estrutura e planejamento familiar das camadas mais pobres da sociedade corrobora os maiores índices de moças gestantes nesses locais, visto que o cenário de convívio, geralmente, não traz informações nem exemplos relevantes para conscientização juvenil. Desse modo, é perpetuado um ciclo de exclusão social trabalhoso de ser rompido.

Em segundo lugar, a ausência de instrução sexual favorece ampliação da gravidez precoce. Segundo o educador Paulo Freire: “Se educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse seguimento, é possível perceber que a desinformação dos adolescentes quanto as questões da sexualidade torna a mudança mais difícil , haja vista que as consequências de uma gestação antecipada estarão ocultas aos olhos desses. Dessa forma, os impulsos da mocidade desinformada terão mais facilidade para prevalecer sobre a razão dela.

Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. É mister que o Governo Federal proporcione, por meio de programas sociais, auxílio às jovens gestantes de classes mais baixas, a fim de promover uma sociedade mais igualitária e, consequentemente, quebrar o ciclo de discrepância social. Além disso, o Estado deve, ainda, em conjunto com o Ministério da Educação, garantir, mediante a inclusão na grade curricular, aulas que tratem sobre a sexualidade, com o fito de alertar os púberes em relação aos desfechos da gestação precoce e, assim, evitar o aumento dessa problemática. Feito isso, as complicações experimentadas por Maeve poderão ser evitadas na juventude atual.