Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 17/12/2020

Segundo Carlos Drummond de Andrade, “a educação para o sofrimento evitaria senti-lo com relação a casos que não o merecem”. Essa frase evidencia o martírio que uma educação de má qualidade pode causar, e a gravidez na adolescência é uma das consequências mais impiedosas do nosso sistema de ensino e da desigualdade social, que exclui a educação sexual de sua pauta, e faz com que a população mais pobre sofra com a gestação precoce.

Em primeira análise, vale salientar que 45% da população sexualmente ativa não usam preservativo, embora 94% reconheçam sua eficácia, de acordo com o Ministério da Saúde. Isso deixa explícito que a falta de conscientização pátria sobre os riscos da gravidez na adolescência, assim como o de doenças sexualmente transmissíveis, faz aumentar sua incidência. A tática de não falar sobre sexo com as meninas e meninos no intuito de postergar o início da vida sexual é antiga e falha.

Ademais, a gestação prematura ocorre majoritariamente na população mais pobre, e com baixa escolaridade. Segundo dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a taxa de fecundidade adolescente no Brasil diminui conforme aumenta a renda do lar. Nesse sentido, a desigualdade social atinge a população carente que acaba tendo mais filhos, fazendo perpetuar a crise socioeconômica brasileira. Afinal, as mães e os pais tendem a abandonar os estudos, o que dificulta a busca por ascensão social.

Dado o exposto, é mister que haja políticas públicas para mitigar a problemática. Cabe ao Ministério da Saúde a criação de disciplinas de educação sexual nas escolas, com a contratação profissionais da área que possam conscientizar de forma correta às crianças e adolescentes sobre a importância do debate sobre sexo e sua prática segura. Além disso, orientar os meninos e meninas a como buscar métodos contraceptivos seguros. Dessa forma, as crianças e adolescentes poderão focar em sua educação e ascensão social, fazendo do Brasil um país menos desigual.