Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 12/01/2021
Na produção em série “Sex Education”, é abordado o cotidiano de adolescentes que estão passando pelo processo de descoberta da sexualidade, destacando-se a importância da educação sexual e as consequências da desinformação sobre esse assunto. Nessa narrativa, a personagem Maeve enfrenta os dilemas de uma gravidez precoce, que provoca mudanças repentinas em sua vida. Fora da ficção, essa realidade também é compartilhada por muitas brasileiras, que, devido à carência de informações, encaram a gravidez indesejada. Essa condição causa o abandono da vida escolar, o que pode dificultar, futuramente, a inserção dessas mães no mercado de trabalho. Para impedir que mais juventudes sejam interrompidas, é necessário o engajamento do Estado nessa causa.
A princípio, pode-se afirmar que a falta de educação sexual é um fator que propicia a gravidez precoce. Por ser um assunto tabu, o corpo e a sexualidade são abordados de forma conteudista nas escolas, priorizando os aspectos biológicos ao invés das responsabilidades e precauções que são necessárias na vida sexual de um indivíduo. Nesse sentido, a orientação acerca do ato sexual é imprescindível para impulsionar o uso de contraceptivos e, também, prevenir a violência sexual (que é uma das causas da maternidade infantil). Segundo a OMS, aproximadamente 13 milhões de garotas, entre 10 e 20 anos, engravidaram nas últimas duas décadas. Com isso, prova-se que o sistema está falhando na proteção dessas meninas, que estão sendo violentadas e desamparadas de conhecimento.
Posteriormente, deve-se destacar as consequências da manutenção desse quadro. Por conta das restrições da gravidez e do preconceito que enfrentam, essas jovens optam por abandonar o meio escolar, ocasionando na defasagem de sua formação acadêmica. Dessa maneira, poucas mulheres conseguem prosseguir com a profissionalização da carreira, dificultando a inserção delas no mercado de trabalho formal. Por isso, elas são obrigadas recorrerem aos empregos instáveis e desvalorizados. De acordo com o estudo realizado na Universidade de São Paulo, a probabilidade de mulheres que engravidaram precocemente de entrar em um mercado formal é reduzida em 12%, evidenciando, assim, os impactos a longo prazo da gravidez na adolescência na vida dessas brasileiras.
Diante do que foi exposto, urge a necessidade de ações governamentais para minimizar essa situação. É dever do Ministério da Educação exigir a implantação de aulas de educação sexual nas instituições de ensino, por meio da introdução dessa disciplina na grade escolar, de forma prática, concreta e adequada para cada faixa etária, a fim de desenvolver nos alunos a consciência dos métodos contraceptivos, a prevenção de doenças e o conceito de consentimento. Dessa forma, será possível reduzir a gravidez na adolescência no Brasil.