Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 23/04/2021

Na era moderna, com o desprendimento de práticas patriarcais anteriormente normalizadas, ocorreu um avanço no que tange a valorização às necessidades da mulher. Em contrapartida, no Brasil, esse panorama não se instalou com êxito, tendo em vista que, por conta do persistente silenciamento machista quanto à vida sexual feminina, observa-se um aumento exponencial do número de adolescentes grávidas. Dessa forma, é imprescindível explicar o principal impulsionador dessa problemática, bem como a maneira mais abrangente de atenuá-la: o censuramento da sexualidade da mulher e, por conseguinte, a necessidade de conversas nas escolas sobre a prática do sexo seguro.

Diante desse cenário, é lícito postular que a persistência da condenação dos desejos sexuais femininos -herança de anteriores configurações sociais preconceituosas- é um sustentáculo central da maior incidência de gravidez na adolescência. Nesse sentido, cabe frisar que, de acordo com o ramo biológico, os seres humanos, como um mecanismo para a continuação da espécie, tem seus sentidos sexuais muito aguçados e facilmente estimulados. No entanto, como afirmado pela Sociologia, o corpo social não aceita que esse comportamento instintivo seja demonstrado pelas mulheres, pois isso danificaria a imagem de pureza moral que é associada a elas. Então, por conta do apagamento dessa nuance fisiológica, as tais não podem requisitar instrução sobre a melhor maneira de realizar o ato que, feito de jeito errôneo, resulta no fenômeno pautado.

Ressalta-se, além disso, que a melhor forma de atuação sobre a gestação precoce é o diálogo no ambiente educacional sobre a temática. Sob tal ótica, é possível inserir o contexto da série norte-americana “Sex Education”, na qual as alunas, por possuírem um instrutor para lhes tirar dúvidas, obtinham maior clareza quanto ao prazer, assim quanto à preservação. Paralelamente, como defendido pela Constituição Federal de 1988, é dever dos órgãos governamentais fornecerem o ensinamento necessário para que seus cidadãos tenham plenitude em todos os âmbitos de suas vidas. Logo, pode-se entender que a didática visando esclarecimento das meninas abranda o impasse e que tal suporte deve ser provido pelo governo.

Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução da problemática. É mister que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete a ministração de palestras nos colégios que pautem a prática sexual, realizadas por profissionais da saúde, de modo a instruir quanto ao sexo seguro, além de guarnecer conversas indiviuais àquelas que desejarem um atendimento mais personalizado. Desse jeito, prever-se-á que a gravidez na adolescência terá suas causas aplacadas.