Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 07/05/2021
Falta de Informação. Dificuldade de comunicação. Acesso restrito aos métodos contraceptivos. Diversos são os fatores que conduzem aos altos índices de gravidez precoce na realidade brasileira. Dessa maneira, a falta de educação sexual nas escolas aliada a sexualização precoce de crianças na sociedade contemporânea são impulsionadores para a desinformação sobre os riscos da gravidez na adolescência.
Em primeira análise, é indubitável que o tema ainda é pouco discutido no ambiente escolar devido ao tabu que se criou ao longo do tempo em relação a assuntos voltados para a sexualidade. Nesse sentido, no livro “A História da Sexualidade - A vontade de saber”, do filósofo Michel Foucault, retrata como as manifestações sexuais eram reprimidas pela sociedade ocidental, e ao decorrer da obra ele tenta romper com esse mecanismo repressor e demostrar a importância do debate acerca da temática. Sendo assim, é possível constatar pelo pensamento do autor a importância em se discutir o assunto, principalmente na fase inicial da adolescência, que é o momento em que o indivíduo está passando por transformações físicas e psíquicas. Dessa forma, um dos agentes responsáveis por abordar o assunto, desmestificando a ideia de que sexualidade é apenas o ato sexual, são as instituições escolares.
Outro fator alarmante é a sexualização na infância que difere da sexualidade, uma vez que a primeira é a exposição antecipada a conteúdos inadequados para a idade da criança já a segunda é um processo natural e gradual do conhecimento do corpo. De acordo, com Márcio Sanches, professor de bioética da Universidade de São Paulo, a erotização precoce se tornou um elemento cultural da sociedade brasileira, visto que situações como “namoradinho na infância”, muitas vezes são naturalizadas. Portanto, é visível que existe uma adultização que têm se tornado uma das causas da gravidez na adolescência.
Diante do exposto, para a atenuação da gestação precoce são necessárias ações . Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, principal órgão responsável pelo ensino no país, promover a inclusão na matriz curricular matérias voltadas para a educação sexual. Isso ocorrerá, por meio de uma parceria com profissionais da saúde que irão ministrar palestras com assuntos voltados para métodos de prevenção e o conhecimento acerca do corpo, a fim de uma maior divulgação de assuntos que tangem a sexualidade e a vida sexual.