Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 05/07/2021
A gravidez humana começa a partir do momento em que o óvulo fecundado por um espermatozóide se prende à parede uterina, caracterizando um processo natural e fundamental para a perpetuação da espécie. Entretando, quando ocorre na adolescência, esse acontecimento acompanha diversos riscos à saúde e qualidade de vida dessas mães e de seus bebês, marcando um ciclo de exclusão social e pobreza. Nesse contexto, o tabu que acompanha a questão da sexualidade para os jovens e a falta de políticas públicas que visem a conscientização sobre métodos contraceptivos colaboram para os altos índices de gestações em mulheres com menos de 20 anos no Brasil.
Sob esse viés, o filme “Preciosa - Uma história de esperança” narra a luta e as privações que sua personagem principal de 16 anos sofre ao engravidar pela segunda vez, tendo que lidar com sua instabilidade familiar e com a dificuldade de permanecer na escola. Esse contexto, por mais que absurdo, é bastante comum em várias famílias, sendo que de acordo com dados da Fundação Abrinq de 2019, por exemplo, mais de 35% das mães adolescentes no Norte e Nordeste não concluíram o Ensino Fundamental. Portanto, assim como no filme, é comum que a gestação esteja relacionada com a evasão escolar e com a queda da qualidade de vida dessas mulheres, marcando uma realidade em que as perspectivas e o futuro dessas jovens sejam comprometidos.
Em vista disso, esse problema se fortalece principalmente devido à dificuldade e ao tabu de se falar sobre a segurança sexual para crianças e adolescentes. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, esse impedimento de se falar sobre a sexualidade com a parcela mais nova da população se encaixa no conceito das “Sanções Espontâneas”, que é uma força de coerção social marcada pela desaprovação de grupos ou da sociedade como um todo a um comportamento específico. Assim, dificulta-se que a informação ligada ao uso de métodos contraceptivos, além de informações importantes como a prevenção a Doenças sexualmente transmissíveis, sejam levados aos mais novos.
Isso posto, urge que o Governo leve essa conscientização sexual aos jovens e a comunidade em geral, principalmente a aqueles mais vulneráveis a gravidez adolescente, como os que vivem nas zonas rurais e nas periferias. Logo, o Ministério da saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, pode criar campanhas que busquem levar educação sexual e preservativos de fácil acesso para essas regiões mais vulneráveis. Para isso, ações como palestras e eventos educativos explicando a importância de métodos contraceptivos devem ser proporcionados a comunidades e centros de ensino mais carentes e isolados. Isso feito, espera-se que o conhecimento e a conscientização possam ajudar a mudar o panorama preocupante do alto número de gestações em adolescentes no país.