Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 25/08/2021

“A pior cegueria é a mental, que faz com que não reconhçamos o que tem à frente.” A afirmação atribuída ao escritor português José Saramago, representa facilmente o comportamento da sociedade diante da gravidez precoce, já que a falta de reflexão do corpo social brasileiro garante que essa mazela social apresente uma taxa de mães adolescentes maior que a média mundial. Assim, tem-se o mau uso de métodos contraceptivos como origem deste quadro negativo. Nesse sentido, entre os fatores que aprofundam essa situação, estão a desinformação pela falta de educação sexual e a vulnerabilidade dos jovens.

Sob esse viés, a persistência da falta de discussão sobre educação sexual gera desinformação e simboliza a perpetuação da mentalidade retrógrada do brasileiro. Segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo de gerações. Certamente, no período da Colonização do Brasil, o cristianismo impôs a ideia de “pureza sexual”, um ideal que permanece enraizado na sociedade ao longo do tempo. Desse modo, a comunidade  brasileira incorporou esse problema e naturalizou a sexualidade como tabu. Em virtude disso, os pais e escolas acreditam que a conscientização e orientação à cerca da educação sexual estimula os jovens a ter uma vida sexual ativa precoce.

À vista disso, a vulneravilidade da gravidez na adolescência é agravada pela cruel desiguldade social. A partir da frase do economista Roberto Campos “Tudo o que se pode fazer é administrar as desiguldades, buscando igualar as oportunidades”, percebe-se que o Brasil, que está entre as dez maiores econômias do mundo, falha em promover igualdade. Consequentemente, a maternidade para adolescentes pobres da periferia, sem planejamento financeiro, os tornam sem perspectiva de vida devido ao afastamento das atividades comuns de um jovem. Além disso, a má qualidade de ensino para gestantes está ligada a falta de oportunidades no mercado de trabalho e a dificuldade financeira.

Mediante o exposto, percebe-se o descazo do Governo para redução da gravidez na adolescência. Sendo assim, o Ministério da Educação em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação devem desenvolver um projeto de prevenção à gravidez precoce. A iniciativa deve ocorrer por meio da adição de ums disciplina sobre educação sexual na Base Nacional Comum Curricular em conjunto de um fórum de discussão sobre o tema para comunidade escolar. Dessa forma, será possível conscientizar e orientar os jovens com a participação da comunidade no combate à problemática. Espera-se, com essa medida que o tabu cultural que cerca à educação sexual seja quebrado.