Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 12/10/2021
O documentário “Meninas” de Sandra Werneck retrata a realidade de jovens grávidas na periferia do Rio de Janeiro, demonstrando os desafios das mesmas durante a gestação até o pós-parto. Tal acontecimento, quando ocorre precocemente, pode acarretar inúmeros transtornos sociais, familiares e educacionais, transformando a vida da mãe drasticamente. Desse modo, é fundamental reduzir os índices de gravidez na adolescência, oferecendo melhores perspectivas para essas garotas e melhores planos para o futuro.
Primeiramente, nota-se que muitas jovens engravidam como um ato de se reafirmar e serem reconhecidas como alguém que tem sérias responsabilidades. Nesse sentido, a falta de esperanças em se tornar bem sucedida nos estudos e no trabalho faz com que muitas meninas vejam a maternidade como alternativa, ainda que seja muito cedo para isso, o que se verifica mais intensamente em regiões pobres e de interior carentes de oportunidades, como foi retratado no documentário “Meninas”. Com isso, tal mentalidade se irá reverter somente se houver melhores condições de vida nesses locais que, geralmente, não têm a atenção adequada do Estado.
Por outro lado, a partir do nascimento de um filho, a adolescente passa a ter inúmeras obrigações, o que faz com que algumas tenham que abandonar a escola. Nesse âmbito, a evasão escolar diminui as possibilidades de garantir uma vaga de emprego, levando à permanência na pobreza, o que dificulta ainda mais a garantia de uma boa qualidade de vida. Sob tal óptica, Paulo Freire relaciona a educação como imprescindível à melhoria das condições sociais para a construção de um futuro melhor, sendo a gestação de jovens em idade escolar um empecilho para que isso aconteça.
Portanto, ações governamentais para combater a gravidez na adolescência devem ser empreendidas. Para tanto, cabe ao MInistério da Educação mapear as áreas em que o problema tem mais incidência e oferecer cursos de qualificação técnica atrativas e com bom índice empregatício, como confeitaria, estética e administração, para jovens de baixa renda que residem nesses locais, para que as mesmas possam, desde cedo, trabalhar e ganhar o próprio dinheiro, percebendo que há melhores escolhas do que engravidar nessa idade. Por fim, a educação sexual deve existir nas escolas, ensinando sobre os métodos contraceptivos e acerca da importância de respeitar as etapas da vida antes de gerar um filho.