Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 22/11/2021

Na série Sex Education, lançada em 2019, é retratada a história de Maeve, uma adolescente que, após engravidar acidentalmente, e, sem nenhum apoio da família, decide abortar. Traçando um paralelo com a realidade no que tange as ações governamentais para a redução na gravidez na adolescência, constata-se que essa situação é enfrentada por diversas adolescentes brasileiras, que não possuem suporte algum para lidar com tal problema tão cedo. Nesse sentido, cabe refletir não só a importância da educação sexual como forma de orientacao e prevenção, mas também avaliar os impactos sociais e fisiologicos na vida dessas mães, cujas vidas são alteradas pelo advento da gravidez.

Em primeira análise, é salutar discutir a relevância de se educar sexualmente os adolescentes, tendo em vista que eles se encontram em formação moral e cidadã, não possuindo capacidade integral de avaliar as consequências de suas ações nem a responsabilidade envolvida. No entanto, o que se encontram são propostas restritivas para a gravidez precoce, como a preconização de abstinência sexual, ao invés de orientação para uma vida sexual segura e sadia. Nesse contexto, reforça-se o pensamento de Immanuel Kant sobre o ser humano ser aquilo que a educação faz dele, portanto, não basta coibir uma ação, é necessário orientar e evidenciar os malefícios, para assim haver a reflexão do comportamento vigente. Logo, é preciso modificar a abordagem utilizada para sanar essa emblemática.

Ainda sobre a mesma temática, é essencial compreender como a vida dessas mães adolescentes são modificadas devido à gestação, afetando toda a sua vida social ao assumir o papel materno e abandonar o de adolescente. À luz dessa ideia, torna-se relevante a perspectiva da pediatra Lilian Day Hegel sobre a gravidez na adolecência ser um fator complicador no futuro da mãe, pois, ao desviar da construção de um sujeito histórico, acaba anulando sua perspectiva de vida e restringindo suas projeções futuras devido à meternidade. Por conseguinte, o que se vê são potenciais futuros serem abandonados por causa de uma gravidez indesejada.

Diante desse cenário, urge a necessidade de ampliação das ações governamentais para reduzir a gestação precoce. Portanto, compete ao MEC, em parceria com o MInistério da Saúde, fornecer o conhecimento sexual aos adolescentes, por meio da instrução interdisciplinar da temática no ensino méido, faixa etária na qual ocorre a maioria dos casos, de modo a reduzir os números através de princípios educacionais. Além disso, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos implementar políticas públicas de assistência às mães jovens, por meio de auxílios nos custos de seus filhos àquelas que permanecerem estudando, de modo a não comprometer seu futuro mediante à maternidade. Feitas essas ações, espera-se que casos como os de Maeve se atenham à ficção.