Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 16/11/2021

Na percepção do filósofo francês Luc Ferry, liberdade significa, antes de tudo, a capacidade de agir além da determinação dos interesses particulares. Consolidar esse agir ao modo de vida contemporâneo, significa educar os indivíduos para a harmonização da vida coletiva. Nesse sentido, o problema da gravidez na adolescência torna-se alvo de debates, em virtude das consequências geradas ao organismo social. No entanto, ao lançar olhar sobre a realidade, questiona-se justamente o modo como essas jovens se encontram nessas situações, pois, embora educação e saúde sejam garantidas pela lei, fica claro que o governo falha em garantir que a população acesse esses direitos.

De início, é necessário evidenciar que a gravidez na adolescência afeta, em maior parte, as parcelas mais pobres da população, visto que são justamente esses indivuduos que não têm condições de arcar com os custos de preservativos, muitas vezes eles nem conhecem esses métodos, pois não conseguem ter acesso a uma educação de qualidade que lhes forneceria tal conhecimento. Vale ressaltar, todavia, muitas mulheres, mesmo que consigam pagar por uma educação, não conseguem conhecer seus corpos de verdade, pois hoje em dia educação sexual não é uma matéria obrigatória nas escolas, nesse sentido, legitima-se o pensamento do psicanalista Freud, em sua obra ‘‘Totem e Tabu’’, onde afirma que temas sobre os quais a nação tem dificuldade de discutir tornam-se preconceitos. É preciso insistir nesse caminho, com o propósito de quebrar este tabu, educando a sociedade.

Ademais, é claro que tal situação é marcada pela incompetência governamental, uma vez que esta falha em fornecer a devida educação ao seu povo. Nessa perspectiva, verifica-se a relevância da plena aplicação da base doutrináia de Thomas Hobbes, sobretudo em “o leviatã”, acerca da função estatal na manutenção de ordem e justiça. Diante desse quadro, não se pode adiar a tomada de medidas para mudar este cenário.

É preciso, portanto, promover ações que realmente possam alterar esse quadro. Em um primeiro momento, é imprescindível que o Ministério da Saúde crie palestras e seminários nas escolas sobre métodos contraceptivos sugerindo o uso de preservativo nas relações sexuais, para que a população conheça de forma clara todas as suas opções acerca da gravidez .Em paralelo, cabe a indústria midiática, grande influenciadora social, divulgar tais projetos para que uma maior parte da população seja instruída acerca da vida sexual. Com isso, acredita-se diminuir os casos de gravidez na adolescência.