Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 10/11/2021
O filme ‘‘Simplesmente Acontece’’, narra a história de Rose, 17 anos, que após apresentar uma gravidez indesejada na adolescência, é obrigada a desistir da universidade, para trabalhar e sustentar a filha. O enredo dessa narrativa cinematográfica suscita uma reflexão sobre a gestação precoce no Brasil, uma vez que, o filme retrata a realidade de muitas jovens brasileiras, cujos planos precisam ser remodelados em função nova vida que está sendo gerada. Nesse âmbito, é necessário pontuar os fatores que desencadeiam essa prática no país, sinalizando seus possíveis riscos, bem como, de maneira análoga, enfatizar a importância de se promover uma educação sexual nas escolas e no ambiente familiar.
Diante desses questionamentos é imprescindível sinalizar as consequências da gravidez na juventude. Nesse contexto, evidencia-se uma maior chance de ocorrência de um parto prematuro, de um aborto espontâneo, e de um rompimento da bolsa, pois o corpo da jovem não está pronto para sustentar uma gestação. Vale ressaltar também que muitas jovens ficam receosas de contar para os familiares a respeito da gravidez, e acabam não realizando um acompanhamento pré-natal, o que pode prejudicar a saúde do feto. Portanto, é evidente a necessidade da jovem de estar pronta fisicamente e emocionalmente para dar a luz à uma criança, e assim realizar tudo em seu tempo, sem pular etapas.
Outro fator motivador, que deve ser considerado na discussão, é que a gravidez na adolecência, não é evitada, muitas vezes, pela falta de acesso a informação e a métodos contraceptivos. Tal fato ocorre em decorrência da negligência familiar e escolar em desenvolver diálogos abertos sobre a sexualidade com os jovens. Nesse prisma, o filósofo Michael Foucault, em sua obra ‘’Ordem do discurso”, afirma que existem determinados assuntos que geralmente ficamos receosos de comentar e que não citamos em nossos discursos, a vida sexual é um bom exemplo disso. Nessa lógica, observa-se que, na atualidade, o diálogo sobre sexo na adolescência entre pais e filhos e professores e alunos, ainda é um entrave. Por conseguinte, é importante introduzir a educação sexual como uma disciplina escolar, para que as jovens estejam cientes dos riscos, consequências, obrigações e compromissos em dar luz à uma criança.
Em suma, torna-se imprescindível entender que a gestação precoce, na adolescência, é um tema que deve ser debatido. Nessa lógica é imperativo que o Ministério da Educação (MEC), promova palestras e seminários, dirigidas por especialistas em sexualidade juvenil, afim de esclarecer, para as jovens, os riscos, consequências e responsabilidades que serão desencadeados com essa prática. Paralelamente cabe ao Ministério da Saúde, através do SUS, garantir maior acessibilidade aos métodos contraceptivos, divulgando-os através de campanhas e fazendo distribuição desses de maneira gratuita, com intuito de evitar uma gravidez não programada e prevenir doenças sexualmente transmissíveis.