Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 04/12/2021

Em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres será mãe antes de terminar a adolescência, consoante dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde, divulgado em 2017, e do relatório Maternidade precoce, do Fundo de População das Nações Unidas. Nesse viés, torna-se incontestável que a gravidez na adolescência é uma realidade que permeia a sociedade hodierna, sendo causada, no Brasil, dentre outros fatores, por um tabu relativo à sexualidade, de modo a trazer consigo problemas graves - como a evasão escolar e a maior mortalidade infantil.                                       Mormente, deve-se destacar que a restrição no que se refere à abordagem dos aspectos sexuais como um empecilho no combate à gestação antecipada. Nesse sentido, segundo Sigmund Freud, o tabu origina-se do desejo de realizar um ato o qual a sociedade entende como condenável, havendo, assim, uma necessidade de instituir uma norma proibitiva. Sob essa ótica, o sexo, desiderato inerente à natureza animalesca, realizado fora do casamento - o que inclui o efetuado na idade juvenil - é repugnado na sociedade brasileira, uma vez que - tendo em vista a colonização portuguesa de caráter cristão e a consequente prevalência do cristianismo no Brasil - é considerado um ato pecaminoso e censurável. Dessarte, como forma de “desestimulá-lo”, é vista como conveniente a privação de conversas que abranjam a sexualidade humana com jovens, ocasionando, desse modo, uma desinformação que propicia atos sexuais sem a mínima consciência de seus efeitos.

Outrossim, é válido ressaltar o abandono dos estudos e a maior taxa de mortalidade de crianças como resultâncias diretas dessa problemática. Posto isso, conforme estudos realizados pelo Ministério da Educação em parceria com outras instituições, cerca de 18% das brasileiras com idade entre 15 e 29 anos que desistiram de continuar estudando afirmaram ter sido a gravidez o principal motivo. Diante de tal exposto, tornam-se claros os prejuízos que sofrem essas jovens, uma vez que a educação, de acordo com pesquisas feitas pela fundação Getúlio Vargas, é o principal meio de ascensão social. Adicionalmente, por temerem a rejeição de parentes e amigos, muitas adolescentes não efetivam cuidados necessários como o pré-natal, o que faz com que, em consonância com o Ministério da Saúde, a mortalidade entre crianças provenientes de gestações precoces seja uma das maiores.

Portanto, são imperiosas ações capazes de reverter essa conjuntura. Para isso, faz-se mister que o Ministério da Saúde, mediante recursos midiáticos - tais quais a televisão e as redes sociais, com  formadores de opinião - dissemine informações acerca dos métodos contraceptivos e das conquências de relações sexuais desprotegidas para, sobretudo, o público adolescente, a fim de diminuir a recorrência da gravidez prematura. Quiçá, assim, refutar-se-á a previsão do Ministério da Saúde.