Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 31/10/2022

A série da Netflix “Ginny e Geórgia” retrata a vida de uma americana que engravida na adolescência e precisa abrir mão de tudo para cuidar da filha. Fora da ficção, inúmeras jovens passam por uma situação análoga, uma vez que a gravidez precoce leva diversas meninas a desistirem dos estudos. Desse modo, além de não alcançarem níveis elevados de escolaridade, não constroem uma carreira profissional adequada no mercado de trabalho brasileiro, o que é grave, haja vista que a maioria não possui condições financeiras adequadas para gerir uma família.

Primeiramente, é importante citar que, de acordo com dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde, a gravidez na adolescência está relacionada à baixa renda, ao déficit de escolaridade e a poucas perspectivas profissionais. Isso se deve ao fato de que muitas adolescentes grávidas não finalizam os estudos que, na maioria das escolas brasileiras, já é deficitário. Dessa maneira, enfrentam dificuldades ao ingressarem no mercado de trabalho formal por não apresentarem qualificações profissionais ou graduação no ensino superior, o que as leva a ocuparem cargos com poucos requerimentos, mas com remuneração baixa, reforçando o ciclo da miséria visto que esses cargos não possibilitam grande ascensão profissional ou financeira, e, corrobora a pesquisa supracitada, a gravidez precoce está fortemente ligada à questão da renda baixa.

Ademais, quanto maior o número de adolescentes grávidas, maiores os gastos despendidos pelo governo com exames, com partos, com vacinas e com consultas. Porém, caso o número de gestações precoce fosse extinto, esse dinheiro poderia ser destinado a outras áreas. De acordo com o economista americano James Heckman, o investimento na educação tem retorno garantido. Nesse sentido, uma vez que a baixa escolaridade é um fator de influência na gravidez adolescente, mais investimentos na educação resultariam em menos gastos com saúde, o que geraria economia de valores que poderiam ser reinvestidos na educação brasileira.

Por fim, urgem ações para que haja a queda dos casos de gravidez precoce. Para isso, o Governo Federal, o qual gere o Estado, deve aumentar a subvenção para a área da educação. Desse modo, os jovens terão acesso a uma educação com cada vez mais qualidade e a gravidez na adolescência diminuirá progressivamente.