Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 15/08/2022
A personagem Clara dos Anjos, da obra homônima de Lima Barreto, vive o drama da gravidez na adolescência, pois foi abandonada pelo namorado e sofre por conta de sua situação social: era pobre e mulata. Nesse contexto, o livro, mesmo que do século passado, exibe um Panorama adverso que ainda assola a realidade brasileira, já que a gravidez entre adolescentes é recorrente. Em prol de modificar essa realidade contestável torna-se urgente o reconhecimento dos vários desafios que cercam esse problema, entre os quais destacam a pouca informação e a falta de investimento do Poder Público.
Nesse sentido, embora o número de gravidez na adolescência tem diminuído nos últimos anos devido à medidas governamentais, a exemplo das campanhas de conscientização dirigidas para jovens em condições mais vulneráveis, verifica-se que o poder público ainda está muito distante do cumprimento do seu dever preconizado no artigo 227 da Constituição Federal de 1988, o qual garante, com absoluta prioridade o direito à saúde, à cultura e à educação, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. Efetivamente, os altos índices de adolescentes grávidas comprovam que a máquina pública no país não desenvolve políticas sociais eficientes de informação e esclarecimento adequado para inibir esse entrave no contexto de várias famílias.
Ademais, a família e a escola são também partes responsáveis nessa questão. Nesse contexto, é comum se deparar com muitas adolescentes que não sabem, de forma correta, utilizar os métodos contraceptivos, fato esse que revela a displicência dessas instituições no que se refere à abordagem de temas vinculados à questão sexual. Logo, enquanto as implicações da gestação na adolescência não forem tratadas com diálogos recorrentes nos lares e nas escolas o Brasil ainda reproduziram o enredo literário de Lima Barreto.
Destarte, o Governo Federal, responsável pela administração do país, por meio de multirões com médicos e psicólogos, os quais possuem a formação para orientar sobre o tema, deve intensificar mais investimentos em campanhas de conscientização, principalmente em áreas periféricas, com a finalidade de proteger os jovens brasileiros.