Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 30/08/2019
Em “O menino que descobriu o vento”, filme britânico exibido pela Netflix, é abordada a história de William Kamkwamba, um garoto do continente africano que utiliza sua inteligência e força de vontade para criar uma turbina eólica que fosse capaz de levar água, no intuito de acabar com a fome ocasionada pela seca em seu vilarejo. Fora de ficção, é possível perceber que, nos dias atuais, há discussões sobre a crise hídrica e suas consequências, seja causada pelas mudanças climáticas, seja pela má gestão da água. Por isso, torna-se necessário maior debate acerca dessa problemática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que as mudanças climáticas possuem grande responsabilidade quanto aos recursos hídricos e que, essas, são intensificadas por ações antrópicas. Um exemplo disso é o momento crítico iniciado em 2014, no estado mais populoso do Brasil, São Paulo, no qual os níveis de seca e redução do volume de água atingiram quadros preocupantes, resultando em racionamento de água para parte da região. Tal fato só aconteceu devido à baixa frequência de chuvas que assolou o território brasileiro no determinado período.
Em segundo lugar, é importante destacar a influência da má gestão da água para a ocasião da crise. Nesse sentido, pode-se relacionar tal administração com o atual cenário do Nordeste brasileiro, onde há uma junção entre a má distribuição dos recursos hídricos e a característica do clima local, deixando o ambiente mais seco do que normalmente é. Para exemplificar tal discussão, a obra literária de Graciliano Ramos, “Vidas secas”, aborda de maneira detalhada a má gestão, ao dizer que pessoas do sertão nordestino, onde não há abundância aquosa, buscam melhorias de vida em locais com melhores distribuições hídricas.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para conscientizar a população, sobretudo no que tange a ações antrópicas que trazem malefícios climáticos, urge que o Ministério do Meio Ambiente crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que demonstrem as consequências dos atos e o possível futuro dos recursos hídricos caso não haja mudança, sugerindo a criação de novos hábitos para os cidadãos. Somente assim será possível iniciar o combate a crise hídrica no Brasil, para que, futuramente, não se torne evidente a presença de novos “William’s” pelo país.