Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 31/08/2019
No Brasil, a crise hídrica sempre foi um problema, porém, nunca se foi dada a devida importância. Nesse contexto, a obra escrita por Graciliano Ramos, Vidas Secas, retrata o sofrimento de uma família por conta da seca no nordeste do país já na década de 30. No entanto, apesar de ocorrer por muitos anos, apenas, hodiernamente, por afetar maiores e diferentes áreas do território nacional, essa chaga social está -finalmente- sendo vista como a mazela que é. Dessa maneira, os desafios para reduzir a crise hídrica têm como pilares o sentimento de impunidade dos indivíduos e o fato do homem ser naturalmente egoísta.
A priori, o sentimento de ser inatingível corrobora o aumento da escassez de água no país . Tal ideia é fundamentada pelo conceito de modernidade líquida do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, o qual defende que a instabilidade das relações gera nos indivíduos a sensação de efemeridade do tempo, culminando, portanto, nas ações imprudentes da sociedade. Dessa forma, por não pensarem em suas atitudes, o uso irresponsável da água levou o reservatório da cantareira -responsável pelo abastecimento do Estado de São Paulo- a atingir, em 2014, o seu menor nível dos últimos 40 anos, segundo a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (SABESP). Dentro dessa lógica, ações levianas, como o gasto descontrolado de água, comprovam a teoria de Bauman de que as pessoas estão -infelizmente- mais irresponsáveis com o passar dos anos.
Ademais, o individualismo faz com que não haja uma coletividade disposta a mitigar a problemática. Sob essa linha de pensamento, tal concepção vai ao encontro do ponto de vista do filosofo alemão, Arthur Schopenhauer, o qual defendia que a natureza humana é egoísta. Por esse ângulo, as pessoas, portanto, só se preocupam consigo mesmos e aquilo que as afeta, o que fez com que a crise hídrica permanecesse insignificante por muito tempo. Assim, quando o problema atingiu a região sudeste e prejudicou pessoas mais influentes, a escassez de água ganhou protagonismo nas pautas governamentais. Tal panorama reforçou a ideia de Schopenhauer, já que enquanto o problema não influía diretamente na vida dos políticos brasileiros, poucas medidas eficazes foram tomadas.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para amenizar a crise hídrica no país. Para mudar esse quadro, além de reduzir o sentimento de impunidade nos cidadãos, cabe aos deputados federais de cada estado tornar os problemas de suas regiões importantes, por meio da criação de leis que reduzam seus obstáculos. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a elaboração de projetos eficazes nas regiões mais secas, a fim de reduzir a falta de água no Brasil. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se os níveis da cantareira, assim como de outros reservatórios, não sejam mais um problema.