Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 30/08/2019
Na obra “Vidas Secas”, o autor Graciliano Ramos relata a vida de Fabiano e sua família que lutam severamente contra a seca no Nordeste. Entretanto, a problemática da seca não está apenas no livro de Graciliano, mas representa uma realidade de vários brasileiros. Com efeito, não há como negar que as atitudes irracionais do homem moderno causam a atual crise hídrica.
Em primeiro plano, os sucessivos desmatamentos na Amazônia prejudicam o regime de chuva do país. Isso ocorre porque, durante o processo de fotossíntese, a água é eliminada como produto da reação na forma de vapor, o que contribui para o acúmulo dessa substância na atmosfera e, consequentemente, forma nuvens carregadas. Nesse prisma, essas nuvens são disseminadas pelo território e levam chuvas para todas as regiões do país, no entanto o descaso governamental com a floresta, como as queimadas no início de 2019, prejudica esse fenômeno de distribuição hídrica pelo país. Logo, é necessário uma melhor administração pública da floresta.
Além disso, a ausência de fiscalização efetiva, por parte do Estado, auxilia no desperdício de recursos hídricos. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman - na obra “Modernidade Líquida”- o Estado perdeu sua função social, sendo chamado de instituição zumbi. De fato, o abusivo uso de água pela indústria automobilística e pela agricultura reforça a vista grossa que o agente fiscalizador faz sobre essas atividades econômicas, como foi defendido por Bauman. Dessa forma, apesar de o Brasil ser o país com as maiores reservas hídricas, parte da população fica desassistida em relação à água.
Torna-se evidente, portanto, que a sociedade não aprendeu a lidar com a água e é preciso alterar o estilo do homem moderno. Então, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com ONGs, uma maior fiscalização da floresta amazônica, pois ela é fundamental para o regime de chuvas do país. Assim, a fiscalização deve ser realizada por satélites e pela Polícia Federal para evitar os desmatamentos e as queimadas. Com essa medida, será realizado o primeiro passo para mitigar a escassez de água no Brasil e, dessa maneira, evitará que casos como o de Fabiano aconteçam.