Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 06/09/2019
Segundo Mário Sérgio Cortella, filósofo contemporâneo, cada vez que a sociedade afeta o equilíbrio ecológico do planeta, ela é afetada. Essa citação demonstra a necessidade de preservar os bens naturais do país. Nesse contexto, hodiernamente, vive-se uma falta de recursos hídricos no país fomentada pelo uso demasiado desse bem pelo agronegócio e também pela desestruturação das redes de transporte de água.
Inicialmente, cumpre destacar que há uma predominância no uso de água por parte da agropecuária. Isso decorre da dependência que o país tem em relação ao primeiro setor (agropecuária), já que a nação é líder em produção de soja, laranja e gado. Dessa forma, grande parte da receita brasileira está intimamente relacionada ao agronegócio. Portanto, compreende-se que a indústria tem protagonismo na perpetuação do impasse, a despeito da culpabilização frequente voltada à sociedade.
Ademais, o transporte de água dos reservatórios às residências dos consumidores é deficitário. Por conta disso, a precária capacidade da estrutura de rede de condução dela gera muito desperdício, notadamente constatado por vazamentos nos canos e ligações clandestinas. Segundo a Agência Nacional de Águas, há uma estimativa de que 52% da água consumível é desperdiçada antes de chegar ao consumidor. Por conseguinte, elucida-se que o investimento precário do governo na rede contribui para a consolidação do entrave hídrico nacional.
Em síntese, depreende-se que o uso da água é prejudicado por uma grave crise. Por isso, o Ministério do Meio Ambiente, sobretudo na voz das secretárias desse setor, deve agir no fomento a técnicas inovadoras de irrigação, como as estufas suspensas, por meio de parcerias público-privadas com empresas do ramo, a fim de diminuir o consumo de água no agronegócio. Do mesmo modo, é importante que o Ministério do Desenvolvimento Regional, por intermédio das prefeituras e seus recursos próprios, promova uma reformulação nas redes de transporte de água para minimizar o desperdício.