Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 26/09/2019
Desde a chegada oficial dos portugueses ao Brasil no século XVI, os recursos naturais vêm sendo explorados com a premissa de serem infinitos. Entretanto, tal pensamento de parte da população, aliado a fatores como o consumismo e o descaso governamental, acarretam um cenário bem diferente do encontrado pelos colonos devido à crise hídrica. Tal assunto, por colocar em xeque a qualidade de vida dos brasileiros, deve ser encarado como sério problema inerente à nação.
Primeiramente, é necessário analisar a condição em que ocorre tal fenômeno. Conforme Marx, em um mundo capitalista, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse viés, o conceito de “água virtual” diz respeito à quantidade desse recurso necessária para produzir um bem ou serviço, a exemplo da carne bovina, que demanda 15500 litros de água para cada quilo de carne, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Ocorre que substancial parcela dos indivíduos é imprudente nas suas práticas de consumo excessivo, aumentando cada vez mais a demanda de produção e consequente aprisionamento da água que não retorna para o ciclo hidrológico natural. Assim sendo, enquanto houver negligência social, o Brasil conviverá com a crise hídrica.
Outrossim, está a falta de comprometimento do governo com as questões ambientais. De acordo com o pesquisador James Lovelock e sua Hipótese de Gaia, o planeta Terra é um organismo vivo, onde todos os componentes da biosfera estão intimamente interligados e reagem de forma conjunta. Entretanto, visando o desenvolvimento a qualquer custo, as autoridades ignoram as consequências dos atos como a poluição e redução de áreas responsáveis pelo abastecimento dos mananciais, o que fomenta o prejuízo na disponibilidade dos recursos. Como reflexo dessas práticas, o Brasil possui 917 municípios em estado de calamidade hídrica, de acordo com a Agência Nacional das Águas. Destarte, medidas energéticas são essenciais para reverter esse cenário.
Urge, portanto, a necessidade de se combater a crise hídrica no país. Nesse sentido, o Ministério Público deve instaurar órgãos capazes de garantir o cumprimento das leis ambientais, bem como denunciar quando não forem cumpridas. Além disso, é imprescindível o engajamento midiático com propagandas publicitárias e debates públicos acerca das consequências do consumismo, visando sensibilizar a população sobre a situação nacional dos recursos hidrológicos. A articulação dessa pluralidade é impreterível para o aproveitamento ideal das riquezas naturais que caracterizam a pátria.