Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 27/09/2019

Desde o início do século XVI, com a chegada da colonização portuguesa ao Brasil, cultiva-se a ideia de que nossos recursos hídricos são infinitos. Analogamente, mesmo perante as diversas crises enfrentadas essa perspectiva reverbera até hoje. Nesse sentido, faz-se mister salientar o desperdício e a poluição como fatores agravantes da má distribuição de água no Brasil contemporâneo.

Inicialmente, destaca-se o consumo exacerbado motivado pela desinformação. Destarte, de acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 110 litros de água por dia, entretanto, o brasileiro consome o dobro desse valor. Logo, o uso desenfreado desse recurso natural corrobora para um cenário, aparentemente distópico, de escassez. Tal comportamento precisa ser alterado enquanto há tempo, pois hodiernamente, segundo o escritor Guimarães Rosa, “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.       Outrossim, figura a degradação do meio ambiente como elemento provedor da escassez hídrica. Conforme o jornal Estadão, cerca de 60 e 45 por cento dos resíduos domésticos e industriais, respectivamente, são lançados em cursos fluviais que, por conseguinte, ficam impróprios ao consumo humano. Assim, a falta de saneamento básico em consonância a hábitos irregulares, por parte dos cidadãos e empresas, fomentam a destruição de possíveis fontes de abastecimento como, por exemplo, o rio Tietê que em alguns trechos de São Paulo já é considerado morto.

Em prol da atenuação desse impasse, portanto, cabe a Agência Nacional de Águas — responsável pela implementação da gestão de recursos hídricos no país — veicular campanhas informativas, por meio da mídia, com engenheiros ambientais que desconstruam o ideário de eternidade da água disponível e mostrem à população como um consumo sustentável pode ser realizado. Espera-se, com isso, que os recursos hídricos possam ser usados de forma consciente e preservados. Desse modo, o falso ideal de infinitude estabelecido na colonização será quebrado.