Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 16/10/2019
A música “Súplica Cearense”, de Luiz Gonzaga já ilustrava o sofrimento do nordestino em relação as crises de seca e de chuva. Assim, no atual quadro de crise hídrica, as regiões mais secas do Brasil ainda sofrem por falta de vontade e planejamento das autoridades, mostrando que ainda não aprendemos a lidar com essa problemática. Portanto, é fundamental analisar os motivos e consequências dessa inação governamental.
A priori, é essencial entender que a costa brasileira recebe extensivas massas de ar, contribuindo fortemente para um grande índice pluviométrico, sendo possível prever até certo ponto as resultantes desses efeitos meteorológicos. Destarte, a falta de planejamento das autoridades em relação à crise hídrica é uma escolha. Sem dúvida, um dos motivos é a “indústria da água”, na qual, em regiões mais secas governantes em época de eleição prometem carros pipas a fim de manter o controle político.
Paralelamente, o governo federal tenta solucionar o problema da atual crise hídrica nas regiões mais sensíveis à seca, a exemplo da obra de transposição do Rio São Francisco que certamente ajudará muitas famílias. Entretanto, de acordo com o Relatório de Impacto Ambiental da obra, apenas 4% da água deslocada vai para a população difusa, sendo que os outros 96% vão para irrigação e indústria. Consequentemente, muitas famílias ainda estão suscetíveis à crise, sendo indispensável uma estratégia efetiva para sanar esse quadro.
Portanto, é urgente a aplicação de tecnologias baratas que atendam extensivamente à população mais desamparada. Logo, o Governo Federal em conjunto com o ministério da infraestrutura devem contratar empresas locais para construir em todas as residências reservatórios de chuva planejados para funcionar durante toda a estação de seca, esses reservatórios devem ter um mecanismo de “tampa inteligente” para evitar a perda de água por evaporação. Dessa forma, à população terá acesso a seus próprios reservatórios de água e se extinguirá a dependência política sobre este recurso fundamental para a existência humana.