Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 08/10/2019
A celebração do Tratado de Madri, em 1750, por Portugal e Espanha, permitiu o alargamento das fronteiras do Brasil e permitiu que hodiernamente o país possua 20% dos recursos hídricos mundiais. Apesar disso, enfrentou-se no ano de 2014 uma grave crise hídrica. Mesmo vivenciando os efeitos nefastos da falta de água, a sociedade persevera em cometer os mesmos erros que fomentaram as instabilidades de cinco anos atrás. Diante dessa perspectiva, é imperativo confrontar elementos relacionados com essa problemática social.
Mormente, deve-se apontar que a agricultura é a principal responsável pelo desperdício de água e pouco é feito para atenuar esse fato. Corroborando tal afirmação, dados da Agência Nacional de Águas(ANA) apontam que a agricultura é responsável por 72% da demanda nacional de água. Nesse ínterim, a FAO (Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) aponta que cerca de metade da água empregada na agricultura brasileira é desperdiçada. Portanto, apesar de ser um setor importantíssimo para o equilíbrio da balança comercial, medidas são necessárias para mitigar o desperdício hídrico causado pela agricultura, que está na ordem de 36% da demanda nacional.
Nesse Expediente, é imperioso destacar que o aumento do desmatamento na Amazônia tem impacto direto na diminuição do volume de chuvas no Sudeste. Tal realidade é comprovada por dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que apontam aumento em julho deste ano de 278% em comparação com o mesmo período do ano passado. Isto mostra que o está havendo diminuição da cobertura vegetal e da evapotranspiração da floresta. Esta mudança mitiga o volume de chuvas que chegam à região mais populosa do país. Consequentemente, verifica-se uma queda no nível dos reservatórios do sudeste. Sendo que esse o fenômeno fora vivenciado durante a crise de 2014. No entanto, a devastação da floresta só avança.
Dessarte, medidas são necessárias para enfrentar o problema. Urge a necessidade da ANA regulamentar métodos de irrigação que economizem água e proibir outros que desperdiçam. Tal normatização será construída por grupos de trabalho formados por especialistas e produtores, objetivando parâmetros que diminuam o desperdício sem comprometer a produção. Ademais, cabe ao IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), intensificar a fiscalização de focos de desmatamento identificados pelo INPE, identificando os responsáveis. Tais ações coibirão o avanço de retirada da cobertura vegetal. Dessa forma afrontaremos aspectos responsáveis pela crise hídrica que ainda perduram, cumprindo com o dever moral do país possuidor de 1/5 das reservas hídricas do mundo de cuidar desse precioso bem.