Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 13/10/2019
Na obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas.Conquanto,o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, na medida as atuais crises hídricas atuam como barreiras ,as quais dificultam a concretização dos planos de More.Esse cenário antagônico é fruto tanto da má gestão dos recursos hídricos por parte do governo,quanto da falta de planejamento prévio no estabelecimento de represas e lagos artificiais.Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos,a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro lugar, é importante apontar que as crises hídricas derivam diretamente da baixa atuação de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrencias.Consoante a essa ideia, pode-se mencionar o pensador Thomas Hobbes, que defende que o Estado é responsável por garantir o bem estar da população ,entretanto, isso não ocorre no Brasil.Sob o mesmo ponto de vista, pode-se inferir que as autoridades governamentais não cumprem devidamente o seu papel, uma vez que não existem propostas com o objetivo de controlar o consumo de água nem da população, nem do setor primário da economia - agricultura e/ou pecuária.
Faz-se mister, ainda, salientar como causa do problema, o planejamento imediatista empregado na construção das principais represas e usinas hidrelétricas do país.A partir dessa ideia, pode-se deduzir que muitas das obras realizadas com verba pública no Brasil, possuem como objetivo primordial servir como objeto de campanha política, ou seja, deverá ser realizada o mais rápido possível, (sem o planejamento adequado) para que seja entregue sob o mandato de determinado governador.Dessa forma, cria-se as estruturas para resolver um contratempo imediato, porém, devido ao planejamento que não leva em consideração as estações de seca ou a contaminação desses reservatórios, emerge-se uma problemática cuja solução envolve maiores esforços e recursos.
Portanto, é primordial que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual.Destarte, com o intuito de mitigar as crises hidricas, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Agricultura e Abastecimento, seja convertido na contratação de agentes fiscalizadores, responsáveis por garantir que não haja consumo excessivo de água em qualquer setor da sociedade.Outrossim, cabe ao mesmo órgão, garantir que todos os novos projetos de criação de usinas hidrelétricas e reservatórios se configurem como benéficos a longo prazo, através de testes realizados por Engenheiros civis devidamente qualificados, e outros profissionais da área.Dessa forma,a coletividade poderá alcançar a utopia de More.