Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 30/10/2019
Ao final do século XVII, no Brasil, os bandeirantes descobriram as primeiras jazidas minerais, que tinham sua produção limitada, e, desde então, passaram a ser exploradas descontroladamente. Como consequência disso, anos mais tarde, no século XVIII, com o esgotamento desses recursos, houve a crise na mineração. Análogo a isso, no século XXI, há, no país, o consumo abusivo dos recursos hídricos. Apesar de o Brasil dispôr de cerca de 13% da água mundial, de acordo com a Agência Nacional de Água, o país tem passado por por uma intensa crise nesse setor. Certamente, esse colapso tem relação direta com o descaso da população somado à inércia do Governo, ambos frente ao consumo da água.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a atuação da população brasileira, seja no ambiente doméstico ou industrial, na atual crise hídrica. Nessa perspectiva, no uso doméstico, o abuso do consumo de água se manifesta no cotidiano, bem como no banho demorado e na utilização de água corrente na limpeza doméstica, visto que, segundo a Organização das Nações Unidas, ONU, o uso diário da água ultrapassa em aproximadamente 68% do recomendado. Além disso, há, por parte das indústrias, o despejo inadequado de lixos e resíduos, bem como materiais plásticos e substâncias químicas, que reduzem a qualidade da água e inviabilizam o seu consumo.
Nesse contexto, é necessário, também, ressaltar a participação do Governo nessa cise. Em sua obra “Vidas Secas”, Graciliano Ramos faz uma critica o Governo, ao relatar as dificuldades enfrentadas por uma família no sertão nordestino devido, principalmente, à escassez de água. Nesse sentido, fica explícita a inação do governo frente à crise hídrica, visto que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, em 2014, o esvaziamento dos reservatórios doo país atingiu o pior nível da história. Além disso, há a falta de ações para reverter os danos causados pela poluição aquática, uma vez que, segundo a ONU, apenas cerca de 0,3% da água está disponível para o consumo.
Em síntese, o povo brasileiro não aprendeu com a atual cise hídrica no país, dado que, são, somado ao Governo, os principais propulsores dela. Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, MMA, por meio da sansão da lei “Água e Vida”, aumentar as taxas adicionais, não só para residências que ultrapassarem a recomendação mensal do consumo de água recomendado, mas, também, para empresas que despejam resíduos inadequadamente, a fim de promover o consumo consciente da água e diminuir sua poluição. Além disso, cabe, também, ao MMA, por intermédio de investimentos públicos, propiciar a limpeza de água contaminadas, com o intuito de tornar viável o seu uso. Assim, ao reduzir o consumo de água e aumentar sua disponibilidade, espera-se reverter a atual crise.hídrica no Brasil.