Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 01/11/2019
No romance “Vidas Secas”,do autor Graciliano Ramos,é retratada a situação de penúria em que vivem o protagonista Fabiano e sua família no sertão nordestino,Muito em virtude da escassez de água.Ao expor essa realidade aviltante,essa obra ratifica gravidade da questão hídrica no Brasil hodierno.Nesse sentido,corroboram tal problemática o consumismo desenfreado da sociedade brasileira,bem como a complacência do aparato estatal perante a crise hidrológica atual.
Em primeira análise,convém citar o livro “vida para consumo” do sociólogo Bauman que teoriza a respeito da era atual,designada modernidade líquida,na qual as relações interpessoais são pautadas pelo consumismo.No viés de tal perspectiva Baumaniana,constata-se uma correlação entre o consumismo exacerbado e a crise hidrológica que assola o país,visto que,cada produto industrializado tem um enorme custo hídrico inerente à sua produção,é o chamado “consumo virtual” da água.Destarte,ao substituir de maneira efêmera um artigo tecnológico,o indivíduo está fomentando de maneira indireta a crise de água no Brasil.
Outrossim,cumpre salientar que a ineficiência do poder público mediante essa situação agrava a condição dos mananciais brasileiros.Nessa lógica,é válido mencionar a influência da bancada ruralista no Poder Legislativo,dadas as recentes tentativas de alterações do código ambiental com o fito de flexibilizar a conservação das matas ciliares,que são basilares para a proteção de rios e nascentes.Concomitantemente a isso,ocorre a expansão da soja para a região norte,consumindo um volume vultuoso de água na irrigação.Nesse raciocínio,a inação do Estado deflagra a apatia em relação à situação hidrológica brasileira.
Em suma,a análise crítica dos fatos revela a premência de alterar o quadro vigente.Primeiramente,faz-se mister uma ação de cunho informativo por parte do Ministério do Meio Ambiente,em conjuntura com emissoras de televisão,de modo a vincular propagandas que promovam a associação da produção de bens de consumo e o gasto de água com o fito de conscientizar a população brasileira acerca dos males do consumismo.Ademais,é imperatório que o Ministério do Meio Ambiente,numa ação integrada ao poder legislativo,realize um recrudescimento nas leis do cógido ambiental com vistas à limitação do campo de ação do agronegócio.Somente após o emprego de tais soluções,será possível sanar a crise hídrica brasileira.