Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 22/03/2020

No livro “Capitalismo e Colapso Ambiental”, o sociólogo e historiador Luiz Marques sequencia fatos que evidenciam a exaustão do meio ambiente frente à ascensão econômica dos Estados. Nesse contexto, o desequilíbrio climático associado ao consumo irresponsável dos recursos hídricos traz graves consequências, como a atual crise hídrica brasileira. Assim, questões como consumo sustentável e responsabilidade ambiental precisam ser discutidas a fim de reduzir o impacto ambiental.

A princípio, a obra faz alusão a George Perkins Marsh, ambientalista e diplomata americano, que previu, já desde o século XIX, a tendência ao colapso dos recursos naturais devido a crescentes desequilíbrios ambientais antropogênicos, como por exemplo redução da regularidade das chuvas, fruto do desmatamento da vegetação nativa ocasionada pela constante expansão das fronteiras agrícolas em direção à Amazônia, o que reduz a renovação hídrica de rios e reservatórios aquíferos uma vez que a vegetação é uma das principais responsáveis pela evaporação de água à atmosfera. Esse não reabastecimento natural podem acabar levando, portanto, o Estado impor medidas de racionamento.

Outrossim, sob a perspectiva do cientista e diplomata Achim Steiner, que chefia o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o consumo desenfreado é consequência da engrenagem socioeconômica expansiva da atual sociedade, ou seja, o consumo dos recursos hídricos por parte de indústrias, comércio e serviços advém da economia de mercado (oferta e procura) para produzir cada vez mais e alimentar, muitas vezes, o consumo irresponsável das pessoas, uma vez que a água é utilizada nos processos produtivos, pois a água é meio de reação para as transformações químicas e também utilizada como reguladores térmicos de máquinas que, normalmente, geram calor.

Diante da problemática supracitada, é necessário que o governo, por meio de parcerias público-privadas, fomente pesquisas a fim de desenvolver tecnologias acessíveis para o tratamento de efluentes provenientes da indústria e posterior reutilização dessa água; além de aumentar a fiscalização, por meio do aumento de número de agentes e fiscais ambientais, e monitoramento, por radares, de empresas que estejam desmatando a vegetação nativa a fim de preservar o ciclo hídrico natural. Ademais, as pessoas podem convocar a participação de outros cidadãos, por meio das redes sociais, a consumir o suficiente para a subsistência destas, como preferir o uso do chuveiro à banheira a fim de racionalizar o uso da água. Assim, pode-se reduzir os danos a esse mecanismo de renovação de água que sustenta os ecossistemas, como outrora explanados na obra de Luiz Marques, reduzindo as chances de novos racionamentos e novas crises hídricas como as vividas atualmente pelos brasileiros.