Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 03/04/2020

Na obra literária ¨A Seca¨, da escritora brasileira Rachel de Queiroz, é representada a realidade de crise hídrica recorrente na paisagem árida nordestina. Tal panorama denuncia a problemática da estiagem e, em decorrência disso, medidas de cunho social e administrativo são desenvolvidas para um uso racional desse recurso, contudo são necessários reajustes dessas ações a fim de um concreto uso sustentável de água na contemporaneidade.

Concernente à temática do atual desperdício de água cotidiano, há uma significativa contribuição das condutas sociais. Essa premissa é verificada no aumento da população nacional e, em consonância a isso, o crescente consumo de água pela rede doméstica, sendo sua utilização constatada 51% acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Diante desse quadro, é acentuado o cenário de escassez no país, fator que exige uma conscientização da população que pode ser promovida pela mídia e pela educação, visto que condutas como um banho demasiadamente demorado e limpezas com excesso de água contribuem para o desperdício desse recurso. Dessa maneira, a sociedade deve adotar uma postura sustentável em face da crise hídrica.

Ademais, a gestão governamental deve fomentar medidas para suprir a alta demanda de água. Essa assertiva, é sustentada pela crise de 2014, na cidade de São Paulo, quando o sistema Cantareira ficou com um nível baixo em relação a sua capacidade total, panorama gerado pelo descaso de órgãos responsáveis que sobrecarregaram o reservatório, havendo um racionamento hídrico nas residências que persiste até a hodiernidade, o que implica reformulações na gerência desse recurso, haja vista a carência de postos de saneamento de água e a estagnação de áreas de abastecimento que, por não acompanhar a elevação da população urbana, são insuficientes. Desse modo, situações emergenciais, como a ocorrida no sistema Cantareira, instigam modificações na reserva e distribuição de água.

Portanto, é necessária a atuação da sociedade e do governo para mitigar a crise hídrica no Brasil. Para tanto, o meio midiático ¨online¨e televisivo, assim como a elaboração de ¨workshops¨ pelas Secretarias de Educação são propostas com função moralizadora para a população, mediante a exposição das consequências com o desperdício de água, como também de práticas responsáveis, com o intuito de garantir o melhor uso desse recurso. Outrossim, o Ministério do Meio Ambiente deve investir na recuperação do reservatórios nacionais, mediante a Agência Nacional de Águas, financiando a reestruturação dos sistema hídricos estaduais e o processo de saneamentos de água, objetivando reutilizar esse recurso e combater a escassez. Logo, o cenário retratado na literatura de ¨A Seca¨ irá, gradualmente, divergir da realidade nacional a partir dessas ações políticas e sociais.