Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 27/04/2020

‘‘Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria." A célebre frase do defunto-autor machadiano Brás Cubas, relata a relação da sociedade para com o Brasil, caracterizada pela hipocrisia e fator de regresso ao desenvolvimento da nação. Análogo à sociedade hodierna, o país enfrenta graves situações devido precipuamente à inconsciência humana, exemplo disso, é a atual crise hídrica, objeto de discussão ainda existida em segundo plano, tendo como consequência a ausência de políticas remediadoras e preventivas. Tal quadro resulta da má formação educacional acerca do meio ambiente, que explica o fato da população subentender erroneamente que a água é inesgotável e a crise hídrica por si só irá se resolver, acirrando cada vez mais o cenário alarmante.

Em primeiro lugar, com o gradual aumento da população, novas medidas devem ser efetuadas para balancear a quantidade de indivíduos com a necessidade imposta. Devido a ausência de novas medidas, o Brasil enfrenta problemas no que tange ao abastecimento da água em inúmeras regiões, precipuamente em localidades com maior população, como São Paulo e Rio de Janeiro. Convém ressaltar que apesar das condições naturais representadas pelas secas, elas não são suficientes para causar a falta de água para a população, e sim, sua má gestão, devido primordialmente a própria sociedade, que utiliza tal recurso de forma exacerbada. É necessário entender que a população é o principal agente ativo que pode e deve reverter tal quadro.

Outrossim, Mônica Porto, pesquisadora da USP - Universidade De São Paulo- alega que a infraestrutura cinza, relacionadas à obras tradicionais, é a melhor maneira de suprir a questão de quantidade de água, enquanto a natureza, é indubitável para a qualidade da água. Tal argumento exemplifica o acordo de mutualidade da sociedade com o Governo, onde ambos possuem papel protagonista no processo. Além da prevenção, é necessário reparar os danos já ocorridos, como por exemplo, a poluição dos rios, o desmatamento da Floresta Amazônica, que afeta diretamente o regime de precipitações, além do acúmulo de lixo, que resulta no acúmulo de água e possíveis enchentes.

Infere-se, portanto, a adoção de múltiplas medidas para erradicação de tal imbróglio. O Estado, por meio de verbas governamentais, deve investir na construção de reservatórios para armazenamento de água, além de efetuar o saneamento básico e todo território nacional, com o fito de tratamento e reutilização da água. Ademais, o Ministério da Educação, através de campanhas publicitárias e instituições de ensino, deve promover a conscientização e orientação dos indivíduos, munindo-os de conhecimento  sobre seus direitos e deveres acerca da preservação do recurso hídrico, objetivando a redução do índice de desperdício hídrico e equilíbrio do recurso no ecossistema.