Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 17/05/2020
Desde o Humanismo, movimento intelectual e filosófico difundido pela Europa renascentista durante o século XV, o homem é o centro das realizações do universo humano. Logo, compete-lhe valorizar sua condição social dentro do contexto no qual está inserido. Passados mais de seiscentos anos, no Brasil, no entanto, ainda há desafios para se aprender com a atual crise hídrica - o que evidencia carência de Políticas Públicas voltadas à manutenção do bem-estar social.
Indubitavelmente, as autoridades brasileiras já tecem medidas para que o maior percentual da nação desfrute e consuma os recursos hídricos de forma igualitária e moderada. Podem-se mencionar, por exemplo, rios artificiais nas áreas mais atingidas pela seca no Nordeste e Campanhas Publicitárias - cujo objetivo é tanto garantir que todos tenham acesso à água, quanto conscientizar sobre como é a maneira correta de usá-la. Isso, de certa forma, ilustra muito bem o intento dos governantes em cumprir com aquilo que preza a filosofia humanista.
Medidas pontuais como essas, contudo, são insuficientemente capazes de atenuar os problemas advindo da irresponsabilidade humana, pois - devido ao baixo nível educacional ora ofertado à maior parcela da nação, ainda incapaz de utilizar corretamente os recursos hídricos - veem-se, corriqueiramente, em território nacional, não apenas que as pessoas desperdiçam água durante o banho ou na escovação dos dentes, mas também que a água é um recurso mal distribuído, além de que a população destrói, polui as nascentes dos rios e retira o seu entorno, o que contribui para que as próximas gerações sejam prejudicadas, e, consequentemente, corrobora com a tese de que o homem tem cobiça, falta de caráter e é egocêntrico - defendida pelo dramaturgo humanista Gil Vicente em sua obra satírica O Auto da Barca do Inferno. O fato é que, enquanto o Estado não pautar o sistema educacional de base em responsabilidade hídrica, não se conquistará uma pátria bonançosa no que tange ao consumo consciente da água.
Depreende-se, portanto, que há a necessidade de maiores investimentos na Educação Básica, já previstos pela Lei de Diretrizes e Bases número 9.394/96. Afinal, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, diz Paulo Freire, educador brasileiro. Para tanto, é viável que o Governo não só amplie sua grade curricular para contemplar aulas semanais, dede o Ensino Infantil, de Responsabilidade Hídrica, bem como intensifique a distribuição de água de forma igualitária, além de proporcionar palestras, em âmbito nacional, para conscientizar os brasileiros acerca da importância da preservação da água, com a finalidade de diminuir o seu consumo. Se assim for feito, ter-se-á um país preparado para desfrutar dos preceitos humanistas.